Abraça o teu roteiro

Bem-aventurados os mansos, porque eles herdarão a terra. Bem-aventurados os pacificadores, porque eles serão chamados filhos de Deus. – Jesus     Pela Presidência   A impressão que temos, é que por milênios o planeta mostra que o egoísmo e o orgulho não foram suavizados pela dor e o sofrimento que a todos afligem e atormenta, parecendo intensificar-se e agravar-se na atualidade, o que ainda nos leva a crer que a humanidade contemporânea vive uma crise moral, espelhando em tudo o que é realizado, nos variados espaços e ambientes sociais dos quais participamos, colaboramos e nos inserimos. Entretando, Jesus promete um outro Consolador, pedindo ao Pai Celeste, que através do Espírito de Verdade, que nos ensinaria todas as coisas e nos faria recordar tudo o que Ele tinha dito. Assim a Doutrina Espírita foi codificada por Allan Kardec, alçando o véu dos segredos e enigmas que escondia a Vida Espiritual. Todas as incertezas, temores e aspirações, acham uma direção de rumo ao encontro das informações, esclarecimentos e conforto espiritual, eliminando a escuridão do desconhecimento e da ignorância. Liberta dos grilhões e da opressão , da adoração e veneração exterior ao Divino Pai. Acompanhamos na atualidade o avanço intelectual da humanidade jamais visto e em extensas dimensões, constituindo em grande progresso dos seres humanos, porém se vê impotente para traduzi-la em ganhos morais, pois o egoísmo, o orgulho e a vaidade ainda predominam, atendendo as suas paixões e inclinações próprias. As nossas intenções viabilizam as escolhas, que impulsiona as nossas condutas, produzindo experiências e criando sentimentos, sensações e comoções. A criação do nosso roteiro em busca da personalidade individual, com objetivos voltados ao superficial e aparências exteriores não serão suficientes, é imprescindível que tornemos ao nosso íntimo, impulsionando transformações no espírito, modificando referências existenciais . A predominância do ontem, contribuirá para a permanência de experiências falidas e a consequente convivência  com o sofrimento e dificuldades de vivências atuais. Pautando o nosso roteiro em reformas e mudanças, optando por melhores escolhas, construindo um novo homem e substituindo o antigo e inexperiente ser, viabilizaremos a nossa segurança e a firmeza de conduta moral na marcha evolutiva, aperfeiçoando o espírito ainda em atraso. Abracemos assim o roteiro de renovação de conceitos essenciais sob a luz dos ensinamentos de Jesus, amando incondicionalmente, todos os dias e em todas as experiências e aspirações no bem. Nessa linha de ação decidida e inspirando-se em Jesus, o Espírito Emmanuel propõe: Abraça o teu roteiro, com a alegria de quem trabalha por fidelidade ao Sumo Bem, estendendo a graça da esperança, a benefício de todos, e, um dia, todos os que te cercam e te acompanham entoarão o cântico de bem-aventurança que o teu coração escreveu e compôs nos teus atos, aparentemente pequeninos de fraternidade e sacrifício, em favor dos outros, em tua jornada de ascensão à Divina Luz. Esse é o rumo em busca da nossa luz de integridade espiritual, o percurso para suplantar irrevogavelmente a instabilidade e o desequilíbrio moral que nos infelicita, cujo desfecho surge e se manifesta do Reino de Deus que está internamente em nós, para a soberania do Amor sobre toda a Humanidade, em concordância aos ensinamentos de Jesus.   Fontes: – O Livro dos Espíritos. – Evangelho Segundo e Espiritismo. – Chico Xavier – Escrínio de luz. Pelo Espírito Emmanuel. – Divaldo Franco – Vidas vazias. Pelo Espírito Joanna de Ângelis. – Divaldo Franco – Amanhecer de uma nova era. Pelo Espírito Manoel Philomeno de Miranda.

A arte de ouvir (Sem julgamento)

CÍNTHIA CORTEGOSO  http://contoecronica.wordpress.com/   Há tanta pressa para viver nestes dias, e tanta falta de direção que se presencia em cada dia, com o pretexto de correria, que o ato de ouvir(se), em muitos casos, já está fora de cogitação. Não há mais tempo nem vontade para ouvir, aliás, está arte (de ouvir) traz a sensibilidade de querer perceber-se e perceber o outro também, e isso está estranho e improvável nos dias de hoje. No entanto querer ouvir(se) é uma qualidade valiosa demais hoje e sempre será. Muitas curas ocorrem, simplesmente, porque o compartilhamento de dores e infelicidades alivia o coração sobrecarregado e, naturalmente, o corpo físico e o espírito podem relaxar e se expandir para a restauração natural das células e realimentação da energia universal, pois pensamentos mais elevados voltam a habitar a mente. Muitas vezes, quando se está num momento difícil e a fé não é visita assídua, parece que não existe solução nem um novo caminho. E quando se quer ouvir, demonstra-se que o próprio espírito ouvinte já busca qualidades para se desenvolver, e a materialidade não dita tanto as regras como definitivas. Quem é ouvido normalmente se cura, e quem ouve se expande ‒ inicia-se a expansão infinita, a bondade. E ouvir é uma das qualidades memoráveis de um espírito. Um exemplo de atitude inapropriada é o menosprezo pelo discurso ou desabafo alheio, mas que seria tão curativo para o espírito sofredor do momento. Como a dor não é mensurável, não deve haver também julgamento algum, no entanto quando a bondade existe no ouvinte, a cura pode ocorrer no ser em sofrimento.  Se pensarmos, não é custoso ouvir, apenas deve haver um pouco da compreensão de que todos somos filhos de Deus, e se há possibilidade de amparar um pouco que seja ‒ das incontáveis vezes que já fomos amparados e socorridos e sabe-se lá quantas vezes mais necessitaremos ‒, de fato, devemos somente agradecer esta realização. E quanto mais fizermos no campo da bondade, mais diretamente seremos amparados e aliviados, pois é no trabalho do bem que nosso espírito começa a conhecer o que é o progresso. Devemos dar graças a Deus por cada momento em que podemos servir, o grande sentido de viver. E tudo o que fizermos que seja com amor e puro coração, pois a energia doada junto com a ação é responsável pela ajuda verdadeira ou não. Ainda que não estejamos tão receptivos, às vezes, para ouvir, mas que nos conscientizemos, pelo menos aos poucos, de que parar e importar-se com a dor alheia e querer ouvir quem tanto necessita falar, também é um dos gestos mais caridosos na vida. Imagine só se a espiritualidade não quisesse ouvir as nossas preces, queixas e súplicas, certamente, seríamos bem mais infelizes, desassistidos e desprotegidos. E na verdade, somos ouvidos com tanto amor que nem podemos imaginar.

Uniões de Provas

“Portanto, o que Deus ajuntou não o separe o homem.”  – Jesus – Mateus 19.6    Por Luiz Carlos Affonso A transformação moral do espírito é fundamental para a sua felicidade e sua paz. A Doutrina Espírita trás em O Livro dos Espíritos na sua terceira parte as Leis Morais, em observância a elas verificaremos que são um meio de transformação, ressalvando que a última delas é a mais importante, a de Justiça, Amor e Caridade. Diz: “É por ela que o homem pode avançar mais na vida espiritual, porque ela resume todas as outras. Quando Deus nos insere na família terrena, onde vamos construir as nossas relações afetivas, essas relações oportunizam aos conviventes familiares experiências que vão contribuir na edificação moral, atenuando as nossas mazelas como, egoísmo, orgulho, vaidade, impulsos instintivos, apegos e outros, transformando-nos em seres de amor incondicional. Somos devedores de antigos compromissos e a reencarnação propicia, possibilita e garante o resgate na condição de cônjuge, pais, filhos ou parentes. Essa interpretação dos dizeres de Jesus de que, “Não separe o homem o que Deus ajuntou”, devem ser compreendidas com menção à conciliação de seres, não está referendada somente aos casos conjugais e sim a compromissos domésticos sagrados. As nossas reencarnações são planejadas para que tenhamos êxito em suas vivências e não temos o direito de desarmonizar o que foi programado e estruturado com objetivos Divinos para as nossas conquistas virtuosas no trajeto do progresso nobre do espírito. Quem desorganiza realizações Divinas esboça a reparação. Diz Emmanuel em página do Livro Caminho Verdade e Vida. “Ninguém alegue desconhecimento do propósito divino. O dever, por mais duro, constitui sempre a Vontade do Senhor. E a consciência, sentinela vigilante do Eterno, a menos que esteja o homem dormindo no nível do bruto, permanece apta a discernir o que constitui “obrigação” e o que representa “fuga”…”Quebrando a ordem que lhe rege os caminhos, desorganizará a própria existência. Os princípios equilibrantes da vida surgirão sempre, corrigindo e restaurando”. A sugestão de progresso espiritual, não é criar paixões e apegos ou ainda desapegos entre os seres, mas de possibilitar, viabilizar e dilatar o amor na família humana e espiritual. A estrutura da conciliação, consonância e união, se fortalecem na esfera terrena e consolidam no plano espiritual. A ligação sanguínea que nos une, não determina imprescindivelmente laços de sangue. Os que se ajuntam para ajustes na mesma parentela, são na maior parte, espíritos que revelam amabilidade, cativados por ligações precedentes, que se retratam por um apreço mútuo na existência física. Podem ser também totalmente desconhecidos uns dos outros, desunidos por incompatibilidades do passado longínquo ou não. São adversidades que se manifestam na existência material e que são reciprocas, com o propósito de amparar nas atribulações, dificuldades e infortúnios.             Os filhos rebeldes, o esposo opressor, a companheira inflexível, os pais autoritários, são junções de ligações menos dóceis, onde cultivastes o espinheiro do tiranismo e hoje em convivência contigo, pede transformação nas vivências e experiências terrenas, amando e perdoando sem limites. Portanto não vamos alinhar as nossas sagradas oportunidades separando o que Deus ajuntou para o nosso avanço, desenvolvimento e evolução.  Fontes: – Caminho, Verdade e Vida — Emmanuel. – Livro da Esperança — Emmanuel. – KARDEC, Allan – O Evangelho Segundo o Espiritismo.

Alteridade e Respeito às Diferenças

Assim, respeite tudo, ame a todos e confie sempre na vitória do bem, para que você possa manter os padrões da verdadeira felicidade no campo íntimo, dentro do Campo Ilimitado da Evolução. André Luiz   Proporcionar o amor ao próximo e o entendimento entre os seres humanos é primordial no exercício dos fundamentos da Doutrina Espírita. No espiritismo a alteridade diz respeito a sabedoria de admitir e aceitar, valorizando a particularidade e a diferença de cada um. Cultivado o diálogo, a compreensão, a empatia, o respeito e a tolerância no convívio espírita, estamos buscando, proporcionando e construindo um ambiente de serenidade e equilíbrio. As experiências contemporâneas nos pedem consideração, ponderação e consciência sobre a descriminação e a tolerância. Os ensinamentos de Jesus nos dizem muito sobre isso. A Doutrina Espírita disponibiliza ferramentas esclarecedoras para a labuta da reforma moral e das relações sociais, as Leis da imortalidade da alma, da reencarnação, da evolução do espírito e do amor incondicional, são alguns preceitos para o sustento da nossa caminhada rumo à evolução dos seres espirituais que somos. Com a reencarnação, desaparecem os preconceitos de raças e de castas, pois o mesmo Espírito pode tornar a nascer rico ou pobre capitalista ou proletário, chefe ou subordinado, livre ou escravo, homem ou mulher. De todos os argumentos invocados contra a injustiça da servidão e da escravidão, contra a sujeição da mulher à lei do mais forte, nenhum há que prime, em lógica, ao fato material da reencarnação. Se, pois, a reencarnação funda numa lei da Natureza o princípio da fraternidade universal, também funda na mesma lei o da igualdade dos direitos sociais e, por conseguinte, o da liberdade. (A Gênese, cap. I, item 36, p. 42-43. Vide também Revista Espírita, 1867, p. 373.) Os conflitos vão surgir, é evidente, em nossas convivências sociais e representa uns dos maiores enfrentamentos nas experiências diárias em nosso trajeto de evolução humana. Encaremos esses estímulos como possibilidades preciosas para o avanço da compreensão e ação da tolerância para com o outro. O espírito está em constante evolução, aperfeiçoando-se a cada existência e saber situar-se no lugar do outro é fundamental. Essa prática nos ajuda a desprendermos do olhar restrito do eu para divisar a coletividade, o respeito ao espaço e o tempo de aprendizado de que cada um leva a interagir de forma mais benevolente e altruísta. “Necessária é a variedade das aptidões, a fim de que cada um possa concorrer para a execução dos desígnios da Providência, no limite do desenvolvimento de suas forças físicas e intelectuais.” – Livro dos Espíritos – Questão 804 O espiritismo facilita-nos o entendimento da metodologia constante da mudança de caráter e princípios morais e éticos e a complacência realiza papel fundamental, obrigando o embate com os nossos entraves de impulsos de sublimidades. A tolerância nos ajuda a sermos humildes, percebendo que nós também cometemos erros assim como os outros. Ser flexível e respeitar as intercorrências são passo a sublimidade, é antes de tudo ser generoso, relevar falhas e ter facilidades em compreender e perdoar. A contemporaneidade vive acentuando o uso do conceito de alteridade, todavia a expressão em si sem a assistência da prática não move o ser humano ao amor àqueles que nos cercam. “Porque, se só amardes os que vos amam, qual será a vossa recompensa? Não procedem assim também os publicanos? Se apenas os vossos irmãos saudardes, que é o que com isso fazeis mais do que os outros? Não fazem outro tanto os pagãos?” – Mateus 5, 46-47 – O Evangelho segundo o Espiritismo, Cap. XII – item 1. Assim ensinava Jesus, sem preconceitos de cor, raça, condição econômica, social ou moral. Consumando essas ponderações é legítimo finalizar que a Doutrina Espírita vivencia o apreço a igualdade humana, o que leva o espírita a auxiliar e a colaborar sem discriminação de nenhuma natureza.     PELA PRESIDÊNCIA   Fontes: – O Livro dos Espíritos. – Evangelho Segundo e Espiritismo. – KARDEC, Allan. Obras póstumas. – https://www.febnet.org.br

SE NÃO CONSEGUES

Se não consegues libertar-te, de imediato, deste ou daquele problema que te acabrunha, procura administra-lo. Que as tuas dificuldades intimas não sejam embaraço para os outros. Que as tuas mazelas pessoais não comprometam a felicidade de ninguém. Que as tuas lutas por melhorar não afetem a vida dos teus semelhantes. Não sejas condescendente em excesso com os teus erros! Não toleres em demasia as tuas constantes reincidências do mal. Administra os teus conflitos psicológicos, lutando  por tua independência, em tuas inclinações infelizes. Corrige-te a cada dia e, de tuas pequeninas vitorias no cotidiano, alcançaras o triunfo definitivo.   Livro VIGIAIS E ORAI CARLOS A. BACCELLI “IRMÃO José”

REUNIÕES MEDIÚNICAS – Parte XIII – DAS OBSESSÕES

REUNIÕES MEDIÚNICAS – Parte XIII DA INFLUÊNCIA DOS ESPÍRITOS EM NOSSAS VIDAS – DAS OBSESSÕES   Dando sequência ao estudo das influências espirituais, trataremos do capítulo XXIII de O Livro dos Médiuns – DA OBSESSÃO.   No número das dificuldades que a prática do Espiritismo apresenta é necessário colocar a da obsessão em primeira linha. Trata-se do domínio que alguns Espíritos podem adquirir sobre certas pessoas. São sempre os Espíritos inferiores que procuram dominar, pois os bons não exercem nenhum constrangimento. Os bons aconselham, combatem a influência dos maus, e se não os escutam preferem retirar-se. Os maus, pelo contrário, agarram-se aos que conseguem prender. Se chegam a dominar alguém, identificam-se com o Espírito da vítima e a conduzem, como se faz com uma criança.   Classificando as obsessões – Quanto ao sujeito ativo, a obsessão será: Individual – quando provocada por apenas um obsessor; Coletiva – quando provocada por mais de um obsessor. Nestes casos, os obsessores tanto podem estar desenvolvendo ações independentes, embora produzidas por motivos semelhantes, quanto podem estar organizados, exercendo sistematicamente a influência obsessiva. Quanto ao sujeito passivo, teremos também: Individual – quando sofrida por um só obsidiado; Coletiva – quando a ação é exercida sobre um grupo de indivíduos. Kardec classificou a obsessão quanto ao grau de influenciação como: Obsessão simples – verifica-se quando um Espírito malfazejo se impõe a um médium, intromete-se contra a sua vontade nas comunicações que ele recebe, o impede de se comunicar com outros Espíritos (…). Não se está obsedado pelo simples fato de ser enganado por um Espírito mentiroso, pois o melhor médium está sujeito a isso, sobretudo no início, quando ainda lhe falta a experiência necessária, como entre nós as pessoas mais honestas podem ser enganadas por trapaceiros. Pode-se, ser enganado sem estar obsedado. A obsessão consiste na tenacidade de um Espírito do qual não se consegue desembaraçar. Na obsessão simples o médium sabe perfeitamente que está lidando com um Espírito mistificador, que não se disfarça e nem mesmo dissimula de maneira alguma as suas más intenções e o seu desejo de contrariar. O médium reconhece facilmente a mistificação, e como se mantém vigilante raramente é enganado. A Obsessão simples também existe para os que não são médiuns ostensivos. Ocorre quando o agente se impõe, de modo sutil e tenaz, à sua vítima, sugerindo pensamentos negativos, despertando emoções estranhas e inexplicáveis.   A fascinação tem consequências, muito mais graves. Trata-se de uma ilusão criada diretamente pelo Espírito no pensamento do médium e que paralisa de certa maneira a sua capacidade de julgar as comunicações. O médium fascinado não se considera enganado. O Espírito consegue inspirar-lhe uma confiança cega, impedindo-o de ver a mistificação e de compreender o absurdo do que escreve ou fala, mesmo quando este salta aos olhos de todos. A ilusão pode chegar ao ponto de levá-lo a considerar sublime a linguagem mais ridícula. Enganam-se os que pensam que esse tipo de obsessão só pode atingir as pessoas simples, ignorantes e desprovidas de senso. Os homens mais corretos, mais instruídos e inteligentes não estão mais livres dessa ilusão, o que prova tratar-se de uma aberração produzida por uma causa estranha, cuja influência os subjuga. (…) graças a essa ilusão que lhe é consequente o Espírito dirige a sua vítima como se faz a um cego, podendo levá-lo a aceitar as doutrinas mais absurdas e as teorias mais falsas como sendo as únicas expressões da verdade. Além disso, pode arrastá-lo a ações ridículas, comprometedoras e até mesmo bastante perigosas. (…) Compreende-se também que os Espíritos provocadores das obsessões simples e de fascinação devem ser diferentes quanto ao caráter. Na obsessão simples, o Espírito que se apega ao médium é apenas um importuno pela sua insistência, do qual ele procura livrar-se. Na fascinação, é muito diferente, pois para chegar a tais fins o Espírito deve ser esperto, ardiloso e profundamente hipócrita. Porque ele só pode enganar e se impor usando máscara e uma falsa aparência de virtude. As grandes palavras como caridade, humildade e amor a Deus servem-lhe de carta de fiança. Mas através de tudo isso deixa passar os sinais de sua inferioridade, que só o fascinado não percebe; e por isso mesmo ele teme, mais do que tudo, as pessoas que veem as coisas com clareza. Sua tática é quase sempre a de inspirar ao seu intérprete afastamento de quem quer que possa abrir-lhe os olhos. Evitando, por esse meio, qualquer contradição, está certo de ter sempre razão. Também atinge não só o médium – o obsessor incute no obsidiado ideias de grandeza, pensamentos de inferioridade, sugestões absurdas e ridículas, levando-o a viver fora da realidade. A ilusão é tão perfeita que a vítima se torna cega, obstinada pela necessidade de ter dinheiro, poder, prazeres sexuais etc., não percebendo a situação delicada e esdrúxula em que se encontra. A subjugação é um envolvimento que produz a paralisação da vontade da vítima, fazendo-a agir malgrado seu. Esta se encontra, sob um verdadeiro jugo. A subjugação pode ser moral ou corpórea. No primeiro caso, o subjugado é levado a tomar decisões frequentemente absurdas e comprometedoras que, por uma espécie de ilusão considera sensatas: é uma espécie de fascinação. No segundo caso, o Espírito age sobre os órgãos materiais, provocando movimentos involuntários. A Possessão – Kardec, como vemos em O Livro dos Médiuns, inicialmente não admitia a possessão, o domínio exercido pelos maus Espíritos, quando a sua influência chegava a produzir a aberração das faculdades humanas. Não adotamos esse termo, como explica, por dois motivos: primeiro, por implicar a crença na existência de seres criados para o mal e perpetuamente votados ao mal, quando só existem seres mais ou menos imperfeitos e todos eles suscetíveis de se melhorarem; segundo, por implicar também a ideia de tomada do corpo por um Espírito estranho, numa espécie de coabitação, achava que não existisse possessos, no sentido vulgar do termo, mas apenas obsedados, subjugados e Embora tivesse rejeitado inicialmente a palavra possessão, a repete várias vezes na Revista Espírita, conforme podemos verificar

Ensinamento de Jesus: Perseverar para Evoluir

Por Luiz Carlos Affonso   “Duro é para ti recalcitrar contra o aguilhão.” Jesus – Atos 9:5   Persevere até o fim, disse Jesus. Ele não nos iludiu quanto às adversidades do caminho em nossa trajetória evolutiva. Encontraremos em o Evangelho de Jesus outras citações como: “No mundo tereis aflições”, “E vos acontecerá isto para testemunho”. São necessários e imprescindíveis, as provações e os percalços, eles são esforços seletivos e importantes que recebemos da Divindade, valorize-os. Não devemos esperar realizações de burilamento espiritual de imediato, a Doutrina Espírita nos sinaliza que é através de muitas encarnações sucessivas que conseguiremos o nosso adiantamento espiritual, e ele são sempre individuais, portanto, vivencie os ensinamentos e exemplos de Jesus, tenha bom empenho, descubra na dureza do plantio o encontro com a sua paz e felicidade. A Divindade sempre nos provém dos recursos necessários à nossa evolução, em todas as encarnações. Deus nos dá a vida, nos mostra a direção, favorecendo o percurso para conseguirmos o aprimoramento do espírito e consequentemente o avanço objetivado na encarnação. São os mentores espirituais que estruturam os aguilhões, por devotada abnegação ao seu tutelado. Os aguilhões, oportunidades ou provas que diferem de acordo com as nossas necessidades, nos desafiando com a beleza ou a hediondez, a fortuna ou a miséria, com os enfrentamentos com as nossas mazelas, são estabelecidas por Jesus, a proveito do ser humano, portanto, veja o que lhe é reservado e posiciona-te quanto aos seus estímulos e incentivos, dores e sofrimentos e não replique desfavoravelmente a eles. Emmanuel nos elucida no livro Caminho, Verdade e Vida que: “O caminho evolutivo está sempre repleto de aguilhões”. De outro modo, não enxergaríamos a porta redentora. Entrega-se Deus aos filhos da Criação inteira e reparte com todos os tesouros de seu amor infinito. “Estimula-os a se elevarem, através de mil modos diferentes, entretanto, existem círculos numerosos como a Terra, em que as criaturas não se apercebem dessas realidades gloriosas e paralisam a marcha, dormindo no leito da ilusão”. As oportunidades que nos são alinhadas, por si só, já retratam o ensejo para a reconstrução e renovação do espírito combalido e carente de recursos virtuosos. Os ensinamentos de Jesus nos oferecem as ferramentas de transformação espiritual, é um conjunto de diretrizes para propósitos de realizações celestes, com ganhos virtuosos para a alma perseverante no trajeto iluminativo, rumo à perfeição do espírito. Sigamos assim as orientações doutrinárias do Mestre Jesus, como nos aprecia Emmanuel no livro Mediunidade e Sintonia: “Não recalcitres”. Imagina se Jesus tivesse adotado a reação da dignidade ferida! “O apelo à justiça teria apagado o esplendor da Boa Nova; no entanto, o silêncio e o sacrifício do Mestre Divino, ainda hoje, como ontem e qual ocorrerá no futuro, suscita o aprendizado e a sublimação da Humanidade inteira”. Para que tenhas um compromisso com o seu crescimento, insira no seu dia a dia, na sua rotina de relações e intimidade soluções aos seus problemas, em vez de concebê-las, ou torná-las confusas. Cale e emudeça, não usa o tempo precioso que Deus lhe deu para reclamações. A zanga olha tudo como forma de recusa e negativista. O rabugento é condescendente com o derrotismo, compactuando com a melancolia e a depressão. O seu labor, não é para que lamentes em prostração, valorize as possibilidades disponíveis em sua rota transformadora e viva com amor e disponibilidade ao serviço santificante.   Fontes: – Caminho, Verdade e Vida — Emmanuel. – Mediunidade e sintonia — Emmanuel. – Coletânea do Além — Autores diversos.

A escolha entre o caos e a paz

CÍNTHIA CORTEGOSO O caos se instala em nós quando nos distanciamos de Deus. O mais insignificante contratempo pode se transformar em batalhas e duelos; atitudes desrespeitosas; infortúnios que se seguem por existências; amargores; perseguições; infelicidades; esgotamentos físicos, energéticos e espirituais. O distanciamento do que deve ser o mais urgente, imprescindível, perfeito, completo e vital nos custa a paz e a significância verdadeira da vida. Enquanto que a união com o amor de Deus nos fortalece, direciona, alegra, completa e nos traz à real maneira de um espírito progredir e aproximar-se da luz absoluta. A paz torna-se integrante ao coração que vive o ensinamento divino, e um coração tranquilo e harmonioso pode perceber a natureza, as pessoas, a maravilha que é ser criação divina e que nada no plano terrestre pode ser comparado com a grandeza de Deus e seus feitos abençoados e eternos. Quando há distância do Criador, mesmo em companhia das mais influentes pessoas, mansões inimagináveis, posições e reconhecimentos sociais, o coração não estará em paz e completo, pois nada do que é terreno alicerçará o órgão ligado inteiramente ao espiritual, resultando num espírito encarnado infeliz, insatisfeito e ansioso. Menos externo e mais cuidado interno. A prece ‒ tão esquecida atualmente ‒ nos reconecta ao campo espiritual, assim como a bondade, a calma, a boa observação, o amparo, a meditação, a disciplina, o recolhimento ao plano que, de fato, é o espiritual, ou seja, todos fortalecem e dão a significação de vida de que o espírito tanto necessita. A diferença entre dias mais perfeitos e imperfeitos é nítida. E tão clara é a observação de como estamos nesses dias. Isso não quer dizer que em certos dias tudo é alegria e sonho realizado, mas, sim, que podemos compreender e viver com mais sabedoria, aceitação e amor. Em muitos dias mais perfeitos, podem ocorrer desafiadores acontecimentos que nunca pensamos suportar e, de repente, tudo se encaminha. Em outros dias, apenas uma reles ocorrência é capaz de uma atitude infeliz ao extremo. A maneira como nos alimentamos interiormente é que coordenará os variados dias; enquanto estivermos neste plano material haverá mais desafios e por isso mesmo necessitamos de auto-observação imediata. E como o corpo deve ser alimentado saudavelmente, o espírito, ainda mais, deve ser cuidado e nutrido com bons pensamentos, sentimentos, palavras e ações sem nunca esquecer que o alimento mais indiscutível e precioso para o espírito é a união com a luz de Deus, pois quando existe essa união, o espírito passa a ser mais vida e amor. O caos é perturbador demais para ficar em nós, ao passo que a paz é uma das vertentes mais iluminadas e harmoniosas que podemos preservar por meio da comunhão com o nosso Criador. Não há comparação entre a verdadeira vida e a que tristemente é só ilusão e não só o caos como o vazio nos invade quando nos distanciamos de Deus.    

Somos medidos por milênios

Por Orson Peter Carrara   O leitor há de concordar comigo que a evolução moral é bem mais lenta que o progresso material. Avança a ciência, em todos os aspectos, mas do ponto de vista moral – considerada coletivamente – a humanidade tem graves desafios a vencer. Basta verificar a tecnologia tão avançada, sendo usada para crimes e fraudes, além das agressividades variadas e mesmo a guerra, entre outros tantos pontos atualmente conhecidos. É a carência moral ainda presente. O progresso moral, todavia, abre ao espírito imortal o acesso a planos mais elevados, em panoramas por enquanto ainda inalcançáveis. Em mundos cujo contexto ainda não conhecemos, inclusive do ponto de vista material, em moradas moralmente mais felizes. Aqui, nas condições atuais do planeta e no estágio moral que a maioria de nós permanece, não ganhamos ainda o acesso, ou ingresso – numa boa comparação, para mundos melhores. Temos que conquistar aqui, os requisitos das virtudes que permitem aquele acesso. E somos carinhosamente acompanhados nesse esforço, inclusive com o apoio de Espíritos melhores que ainda encarnam para nos ensinar como fazer. Nem sempre, todavia, prestamos atenção. Então, se podemos usar essa expressão – somos medidos, observados, acompanhados, em termos de milênio, pois o progresso moral é realmente lento. Só gradativamente vamos percebendo os prejuízos das mazelas morais e tomando consciência de que a renúncia ao egoísmo, aos apegos de toda espécie e a substituição do orgulho pela humildade são as condições para novas conquistas. Administradores siderais acompanham o progresso coletivo para desencadearem novas ações – resultantes de méritos coletivos que igualmente também vão sendo adquiridos – que auxiliem no processo de desenvolvimento. Com a visão do todo, atemporal e coletivamente observados, eles visualizam os progressos alcançados e abrem novas perspectivas. Isso, de maneira geral, em avaliação por milênios – não que isso seja regra em todos os casos. E sempre observando também os méritos coletivos. Nada mais justo e lógico. Se aqui no planeta, utilizamos também nossas pesquisas e medições, porque seria diferente? A frase título foi proferida pelo amigo, médium e palestrante espírita Marco Maiuri, que também nos deixou dois apontamentos que fecham a questão: 1 – As Esferas superiores que possuem as rédeas diretoras da vida Universal trabalham com os ciclos evolutivos, de modo que uma mudança efetiva ocorre mesmo de milênio em milênio. 2 – Quando os homens conseguirem equilibrar a inteligência moral com a intelectual, estas serão as asas da libertação dos seres humanos.

O Fluido Cósmico Universal (FCU)

Por Jubery Rodrigues dos Santos Fonte: O Livro dos Espíritos e A GENESE de ALLAN KRDEC   O conceito de Fluido Cósmico Universal, que encontra suas raízes nas ideias de Franz Anton Mesmer e na obra de Allan Kardec. Mesmer, um médico alemão do século XVIII, propôs a existência de um fluido natural que permeia tudo no universo, influenciando a saúde e o comportamento dos seres vivos. Esta noção foi mais tarde incorporada e expandida por Kardec, que a utilizou para explicar uma variedade de fenômenos espirituais.   Segundo Kardec, o Fluido Cósmico Universal é a substância primordial a partir da qual toda a matéria se origina e retorna um elemento etéreo que se transforma e manifesta em diferentes estados e formas. No contexto do Espiritismo, este fluido é considerado a base para o perispírito ou corpo espiritual, servindo como intermediário entre o espírito e a matéria. A ideia também encontra paralelos em conceitos como o prana da Yoga e o oogônio de Wilhelm Reich, ambos referindo-se a uma força vital essencial que sustenta a vida. Embora a ciência moderna não reconheça o Fluido Cósmico Universal como um conceito científico, ele continua a ser um ponto de interesse e estudo dentro de certas tradições espirituais e filosóficas.   A relação entre o Fluido Cósmico Universal (FCU) e os fenômenos mediúnicos é profundamente enraizada nos princípios do Espiritismo. O FCU é considerado a substância primordial, um elemento etéreo que permeia todo o universo e é a base de toda a matéria e energia existente. No contexto dos fenômenos mediúnicos, o FCU é visto como o meio pelo qual os espíritos interagem com o mundo físico. Os médiuns, indivíduos com a capacidade de se comunicar com os espíritos, são ditos como capazes de manipular ou serem influenciados por este fluido para receber mensagens ou produzir efeitos físicos.   Segundo a Doutrina Espírita, os espíritos podem modificar o FCU através do pensamento e da vontade, transformando-o em diferentes formas de manifestação. Por exemplo, no processo de materialização, os espíritos utilizam o FCU para criar formas tangíveis que podem ser percebidas pelos seres humanos. Da mesma forma, na psicografia, onde mensagens são escritas por um médium sob a influência de um espírito, acredita-se que o FCU atue como condutor das energias e intenções do espírito para o médium.   O períspirito, uma espécie de envoltório fluídico que liga o espírito ao corpo físico, também é composto pelo FCU. Este elemento é crucial para entender a interação entre os espíritos e os médiuns, pois serve como um intermediário entre o mundo espiritual e o mundo material. Durante as sessões mediúnicas, o perispírito do médium pode sofrer alterações influenciadas pelo FCU, permitindo assim que os fenômenos mediúnicos ocorram.   Além disso, o FCU é responsável pela transmissão de pensamentos e sensações entre os espíritos e os médiuns. A qualidade e a pureza do FCU podem influenciar a clareza das comunicações mediúnicas, sendo que fluidos mais puros e sutis facilitam uma interação mais harmoniosa e menos suscetível a interferências.   A compreensão do FCU e sua relação com os fenômenos mediúnicos são essenciais para os estudiosos do Espiritismo, pois oferece uma explicação para muitos dos mistérios que cercam a comunicação entre o mundo físico e o espiritual. Embora seja um conceito abstrato e não mensurável por métodos científicos convencionais, o FCU continua a ser um tópico de grande interesse e debate dentro da comunidade espiritualista. Através do estudo e da prática mediúnica, busca-se uma maior compreensão sobre como os espíritos podem influenciar e ser influenciados pelo FCU, e como isso afeta as interações entre os dois mundos.   Conclusão: O fluido cósmico universal é um conceito central na doutrina espírita, representando a interconexão entre a matéria e o espírito. Ele é fundamental para entender as transformações que ocorrem no universo e a relação entre os seres humanos e o divino. A compreensão desse fluido é essencial para aqueles que estudam a espiritualidade e a natureza da existência.

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