Para que um trabalho seja bem-sucedido conhecimento é essencial. Falaremos neste mês de pilares fundamentais no estudo da mediunidade:
Sinergia:
Ação ou esforço simultâneos; cooperação; coesão; trabalho ou operação associados. Convergência das partes de um todo que concorrem para um mesmo resultado. Pensamento, sentimento e vontade potencializam a sintonia com os bons Espíritos.
Percepção:
capacidade de captar impressões, ter consciência de algo por meio da inteligência e dos sentidos.
Percepção extrassensorial:
Refere-se à capacidade de compreender além dos sentidos e da ação mental corriqueira (impressão paranormal ou intuição). Está fundamentada na teoria de que a mente humana desempenha, dentre outras, a função Psi – expressão criada pelo cientista estadunidense Joseph Banks Rhine (1895-1980).
- Psi Gama ou de efeitos inteligentes – telepatia, clarividência, presságios.
- Psi Kapa ou de efeitos físicos – levitação, telecinesia, teleplastia.
A Codificação Espírita classifica os tipos de percepção psi gama e psi kapa, em mediúnicos e anímicos.
Allan Kardec subdividiu os processos mediúnicos em duas categorias, viabilizados por médiuns:
• Médiuns de efeitos físicos – os que têm poder de provocar efeitos materiais ou manifestações ostensivas.
• Médiuns de efeitos inteligentes – os que são mais aptos a receber e a transmitir comunicações inteligentes.
Allan Kardec denomina a percepção anímica de fenômeno de emancipação da alma. Destaca ainda que a percepção mediúnica traz sempre conteúdo anímico.
Sintonia:
Há sintonia entre duas ou mais pessoas quando há harmonia, similitude, simpatia ou reciprocidade no pensar e no sentir. “Os Espíritos vão, de preferência, onde se acham os seus semelhantes. Aí ficam mais à vontade e mais seguros de que serão ouvidos. O homem atrai os Espíritos em razão de suas tendências, quer esteja só, quer faça parte de um todo coletivo, como uma sociedade, uma cidade ou um povo.
Sintonia mediúnica:
Todo ser humano é médium: “… todos somos instrumentos das forças com as quais estamos em sintonia. Todos somos médiuns, dentro do campo mental que nos é próprio, associando-nos às energias edificantes, ou às forças perturbadoras e deprimentes.
A questão da sintonia vibratória é de real importância nos cometimentos da educação mediúnica. À medida que o estudo faculta o conhecimento dos recursos medianímicos, a compreensão da vivência pautada em atos de amor e caridade fraternal propicia um eficaz intercâmbio entre os Espíritos e os homens, que dos últimos se acercam atraídos pelos apelos, conscientes ou não, que lhes chegam do plano físico.
Dínamo gerador e antena poderosa, o cérebro transmite e capta as emissões mentais que procedem de toda parte, num intercâmbio de forças ainda não necessariamente catalogadas, que permanecem sem o competente controle capaz de canalizá-las para finalidades educativas de alto valor.
Nessa coabitação de vibrações que se mesclam e confundem, gerando perturbações físicas e psíquicas, estimulando sentimentos que se desgovernam, o campo mediúnico se apresenta na condição de uma área perigosa quando não convenientemente cultivado.
Em razão desse interrelacionamento vibratório, mentes desencarnadas ociosas ou más estabelecem conúbios [uniões estreitas] que desarticulam o equilíbrio dos homens, dando gênese a problemas graves nos diversos e complexos setores da vida.
Agastamento e dispepsia [sensação de desconforto digestivo], irritação e úlceras, cólera e gastrite, ciúme e neurose, mágoa e distonia emocional, revolta e dispneia, ódio e extrassístole [batida extra do coração] entre outros fenômenos que aturdem e enfermam as criaturas, podem ter suas causas nessa sintonia generalizada com os Espíritos, quer encarnados ou desencarnados.
O estudo dá diretriz, oferecendo métodos de controle e disciplina psíquica, enquanto a atitude concede renovação íntima e conquista de valores morais.
A mente voltada para os relevantes compromissos da vida harmoniza-se, na mesma razão em que as ações de benemerência granjeiam títulos de enobrecimento para o seu agente.
Os Espíritos Superiores respondem aos apelos que lhes são dirigidos conforme a qualidade vibratória de que eles se revestem. (Projeto Manoel P. Miranda)
Concentração mental – envolve atuação simultânea de dois tipos de forças: atenção e vontade. Atenção é o processo cognitivo do intelecto, caraterizado pela seleção ativa de determinados estímulos com inibição concomitante de todos os outros. Vontade é o que alimenta o processo de atenção, é faculdade mental utilizada na escolha ou decisão acerca de um ato ou pensamento.
Concentrar significa convergir para o centro. Concentração é saber direcionar a atenção ou energias para um objetivo específico.
Por exemplo: quando lemos um livro ou assistimos a um programa de televisão que nos interessa, praticamente não percebemos o tempo passar, não notamos os ruídos do ambiente, esquecemos nossos problemas; estamos tão interessados que praticamente mergulhamos no assunto, deixando de lado todo o resto.
Boa concentração exige vida reta. Os bons resultados da concentração exigem disciplina mental, persistência e prática contínua. Não é algo que se aprende superficialmente e às pressas. Concentração mediúnica é hábito que se adquire paulatinamente, cujos bons resultados dependem diretamente dos esforços investidos.
Durante o contato com Espíritos desencarnados é preciso que o médium se abstraia das preocupações/problemas que transcorrem fora da reunião, fixando-se nos acontecimentos que envolvem o intercâmbio, a fim de que a doação e a recepção de energias magnético-espirituais e o clima de harmonia e seriedade do trabalho não sofram processo de continuidade.
Dificilmente uma casa, um centro, uma seara conservará sua vitalidade e dinamismo quando suas reuniões mediúnicas desestruturam-se, descuidando os seus dirigentes da correção de suas práticas. Por meio dessas reuniões, assim desorganizadas, insurge-se a agressão dos Espíritos imperfeitos e ignorantes, veiculando a cizânia e o falso saber (MIRANDA, 1997, p. 22).
O conhecimento doutrinário básico elimina uma boa parte dos riscos de frustração decorrentes de uma seleção mal conduzida, pois, quando se reúnem pessoas que se dispuseram à aprendizagem para se colocarem à altura da tarefa, é sinal de que esses candidatos já demonstram um certo valor moral que, desse ponto de vista, os credenciam. (MIRANDA, 1997, p. 23).
Fontes: Federação Espírita Brasileira Mediunidade: Estudo e Prática Programa 2 Módulo II – Mecanismos da mediunidade; Vivência Mediúnica – Projeto Manoel Philomeno de Miranda; O Livro dos Espíritos – Allan Kardec; Nos Domínios da Mediunidade F.C.Xavier/André Luiz; Diálogo com as sombras – Herminio Miranda.