REUNIÕES MEDIÚNICAS – Parte XVI – Percepção, Sintonia e Concentração

Para que um trabalho seja bem-sucedido conhecimento é essencial. Falaremos neste mês de pilares fundamentais no estudo da mediunidade: Sinergia: Ação ou esforço simultâneos; cooperação; coesão; trabalho ou operação associados. Convergência das partes de um todo que concorrem para um mesmo resultado. Pensamento, sentimento e vontade potencializam a sintonia com os bons Espíritos. Percepção: capacidade de captar impressões, ter consciência de algo por meio da inteligência e dos sentidos. Percepção extrassensorial: Refere-se à capacidade de compreender além dos sentidos e da ação mental corriqueira (impressão paranormal ou intuição). Está fundamentada na teoria de que a mente humana desempenha, dentre outras, a função Psi – expressão criada pelo cientista estadunidense Joseph Banks Rhine (1895-1980). Psi Gama ou de efeitos inteligentes – telepatia, clarividência, presságios. Psi Kapa ou de efeitos físicos – levitação, telecinesia, teleplastia. A Codificação Espírita classifica os tipos de percepção psi gama e psi kapa, em mediúnicos e anímicos. Allan Kardec subdividiu os processos mediúnicos em duas categorias, viabilizados por médiuns: • Médiuns de efeitos físicos – os que têm poder de provocar efeitos materiais ou manifestações ostensivas. • Médiuns de efeitos inteligentes – os que são mais aptos a receber e a transmitir comunicações inteligentes. Allan Kardec denomina a percepção anímica de fenômeno de emancipação da alma. Destaca ainda que a percepção mediúnica traz sempre conteúdo anímico. Sintonia: Há sintonia entre duas ou mais pessoas quando há harmonia, similitude, simpatia ou reciprocidade no pensar e no sentir. “Os Espíritos vão, de preferência, onde se acham os seus semelhantes. Aí ficam mais à vontade e mais seguros de que serão ouvidos. O homem atrai os Espíritos em razão de suas tendências, quer esteja só, quer faça parte de um todo coletivo, como uma sociedade, uma cidade ou um povo. Sintonia mediúnica: Todo ser humano é médium: “… todos somos instrumentos das forças com as quais estamos em sintonia. Todos somos médiuns, dentro do campo mental que nos é próprio, associando-nos às energias edificantes, ou às forças perturbadoras e deprimentes. A questão da sintonia vibratória é de real importância nos cometimentos da educação mediúnica. À medida que o estudo faculta o conhecimento dos recursos medianímicos, a compreensão da vivência pautada em atos de amor e caridade fraternal propicia um eficaz intercâmbio entre os Espíritos e os homens, que dos últimos se acercam atraídos pelos apelos, conscientes ou não, que lhes chegam do plano físico. Dínamo gerador e antena poderosa, o cérebro transmite e capta as emissões mentais que procedem de toda parte, num intercâmbio de forças ainda não necessariamente catalogadas, que permanecem sem o competente controle capaz de canalizá-las para finalidades educativas de alto valor. Nessa coabitação de vibrações que se mesclam e confundem, gerando perturbações físicas e psíquicas, estimulando sentimentos que se desgovernam, o campo mediúnico se apresenta na condição de uma área perigosa quando não convenientemente cultivado. Em razão desse interrelacionamento vibratório, mentes desencarnadas ociosas ou más estabelecem conúbios [uniões estreitas] que desarticulam o equilíbrio dos homens, dando gênese a problemas graves nos diversos e complexos setores da vida. Agastamento e dispepsia [sensação de desconforto digestivo], irritação e úlceras, cólera e gastrite, ciúme e neurose, mágoa e distonia emocional, revolta e dispneia, ódio e extrassístole [batida extra do coração] entre outros fenômenos que aturdem e enfermam as criaturas, podem ter suas causas nessa sintonia generalizada com os Espíritos, quer encarnados ou desencarnados. O estudo dá diretriz, oferecendo métodos de controle e disciplina psíquica, enquanto a atitude concede renovação íntima e conquista de valores morais. A mente voltada para os relevantes compromissos da vida harmoniza-se, na mesma razão em que as ações de benemerência granjeiam títulos de enobrecimento para o seu agente. Os Espíritos Superiores respondem aos apelos que lhes são dirigidos conforme a qualidade vibratória de que eles se revestem. (Projeto Manoel P. Miranda) Concentração mental – envolve atuação simultânea de dois tipos de forças: atenção e vontade. Atenção é o processo cognitivo do intelecto, caraterizado pela seleção ativa de determinados estímulos com inibição concomitante de todos os outros. Vontade é o que alimenta o processo de atenção, é faculdade mental utilizada na escolha ou decisão acerca de um ato ou pensamento. Concentrar significa convergir para o centro. Concentração é saber direcionar a atenção ou energias para um objetivo específico. Por exemplo: quando lemos um livro ou assistimos a um programa de televisão que nos interessa, praticamente não percebemos o tempo passar, não notamos os ruídos do ambiente, esquecemos nossos problemas; estamos tão interessados que praticamente mergulhamos no assunto, deixando de lado todo o resto. Boa concentração exige vida reta. Os bons resultados da concentração exigem disciplina mental, persistência e prática contínua. Não é algo que se aprende superficialmente e às pressas. Concentração mediúnica é hábito que se adquire paulatinamente, cujos bons resultados dependem diretamente dos esforços investidos. Durante o contato com Espíritos desencarnados é preciso que o médium se abstraia das preocupações/problemas que transcorrem fora da reunião, fixando-se nos acontecimentos que envolvem o intercâmbio, a fim de que a doação e a recepção de energias magnético-espirituais e o clima de harmonia e seriedade do trabalho não sofram processo de continuidade. Dificilmente uma casa, um centro, uma seara conservará sua vitalidade e dinamismo quando suas reuniões mediúnicas desestruturam-se, descuidando os seus dirigentes da correção de suas práticas. Por meio dessas reuniões, assim desorganizadas, insurge-se a agressão dos Espíritos imperfeitos e ignorantes, veiculando a cizânia e o falso saber (MIRANDA, 1997, p. 22). O conhecimento doutrinário básico elimina uma boa parte dos riscos de frustração decorrentes de uma seleção mal conduzida, pois, quando se reúnem pessoas que se dispuseram à aprendizagem para se colocarem à altura da tarefa, é sinal de que esses candidatos já demonstram um certo valor moral que, desse ponto de vista, os credenciam. (MIRANDA, 1997, p. 23). Fontes: Federação Espírita Brasileira Mediunidade: Estudo e Prática Programa 2 Módulo II – Mecanismos da mediunidade; Vivência Mediúnica – Projeto Manoel Philomeno de Miranda; O Livro dos Espíritos – Allan Kardec; Nos Domínios da Mediunidade F.C.Xavier/André Luiz; Diálogo com as sombras
Somos medidos por milênios

Por Orson Peter Carrara O leitor há de concordar comigo que a evolução moral é bem mais lenta que o progresso material. Avança a ciência, em todos os aspectos, mas do ponto de vista moral – considerada coletivamente – a humanidade tem graves desafios a vencer. Basta verificar a tecnologia tão avançada, sendo usada para crimes e fraudes, além das agressividades variadas e mesmo a guerra, entre outros tantos pontos atualmente conhecidos. É a carência moral ainda presente. O progresso moral, todavia, abre ao espírito imortal o acesso a planos mais elevados, em panoramas por enquanto ainda inalcançáveis. Em mundos cujo contexto ainda não conhecemos, inclusive do ponto de vista material, em moradas moralmente mais felizes. Aqui, nas condições atuais do planeta e no estágio moral que a maioria de nós permanece, não ganhamos ainda o acesso, ou ingresso – numa boa comparação, para mundos melhores. Temos que conquistar aqui, os requisitos das virtudes que permitem aquele acesso. E somos carinhosamente acompanhados nesse esforço, inclusive com o apoio de Espíritos melhores que ainda encarnam para nos ensinar como fazer. Nem sempre, todavia, prestamos atenção. Então, se podemos usar essa expressão – somos medidos, observados, acompanhados, em termos de milênio, pois o progresso moral é realmente lento. Só gradativamente vamos percebendo os prejuízos das mazelas morais e tomando consciência de que a renúncia ao egoísmo, aos apegos de toda espécie e a substituição do orgulho pela humildade são as condições para novas conquistas. Administradores siderais acompanham o progresso coletivo para desencadearem novas ações – resultantes de méritos coletivos que igualmente também vão sendo adquiridos – que auxiliem no processo de desenvolvimento. Com a visão do todo, atemporal e coletivamente observados, eles visualizam os progressos alcançados e abrem novas perspectivas. Isso, de maneira geral, em avaliação por milênios – não que isso seja regra em todos os casos. E sempre observando também os méritos coletivos. Nada mais justo e lógico. Se aqui no planeta, utilizamos também nossas pesquisas e medições, porque seria diferente? A frase título foi proferida pelo amigo, médium e palestrante espírita Marco Maiuri, que também nos deixou dois apontamentos que fecham a questão: 1 – As Esferas superiores que possuem as rédeas diretoras da vida Universal trabalham com os ciclos evolutivos, de modo que uma mudança efetiva ocorre mesmo de milênio em milênio. 2 – Quando os homens conseguirem equilibrar a inteligência moral com a intelectual, estas serão as asas da libertação dos seres humanos.