Falar menos e observar mais

Compartilhe

WhatsApp
Facebook
Email

CÍNTHIA CORTEGOSO

 

A paz nasce da gentileza, da simplicidade, da bondade, do amor. Não há registro de ações rudes que pacificaram situações ou conversas insensatas que resultaram em finais felizes. No início, é um trabalho árduo pensar antes de reagir, porém é a mais coerente reação; se toda provocação for devolvida com a mesma dura intensidade, a paz ficará ainda mais distante. Quando alguém fala muito e sem a consciência do que expõe, ou pensa que sabe bem mais do que realmente conhece, tanto melhor deixar a criatura falar sozinha e perder-se na própria ainda imaturidade. Porque é sábio que enquanto a criatura não desejar o seu crescimento, assim não haverá melhoria alguma.

De fato, um dos mais indelicados e inconvenientes contextos é o da pessoa que não permite que outrem exponha a sua ideia, o seu pensamento, ou seja, em sua minúscula redoma ainda deseja controlar e amedrontar outras formas de ver e pensar que não se assemelham com a sua. E continuam com a inoportunidade, naturalmente, tornando-se cada vez mais irrelevantes sem ao menos querer perceber.

Para todos, há muito mais para aprendizagem do que o conteúdo por si só já aprendido. No entanto algumas pessoas sem a mínima sensatez continuam a infeliz conversação e exposição de ideias rasas e limitadas. E novamente lembramos que temos apenas uma boca, dois olhos e dois ouvidos, uma soma métrica da sabedoria.

Ainda outro fator determinante é quando há o monólogo barulhento ‒ pode-se comparar com a carroça vazia que faz muito barulho no caminho enquanto a cheia, silenciosamente útil, desempenha com habilidade o seu trabalho ‒, já que tudo fala, pois pensa que sabe tudo. E o tempo passa e a criatura começa a observar que se encontra estagnada, e ao seu lado encontram-se apenas pessoas aprisionadas, por alguma questão, e limitadas.

Então, percebemos que mais vale a paz em nosso coração do que ganhar uma discussão; mais vale a consciência calma do que desequilibradamente impor um pensamento a qualquer criatura que seja. Sempre valerá mais o crescimento interior silencioso do que a estrondosa imposição sem razão de ser.

A sabedoria de observar mais do que falar é tão milenar e rica que devemos sempre trazê-la à memória. E quanto ao outro, nada se pode fazer apenas desejar que se observe e compreenda a sua real condição. Para isso, é necessário querer observar-se e a humildade precisa ser alimentada e fortalecida. É muito gratificante tornar-se mais sensato.

E todos os dias são o tempo para a retomada de uma estrada melhor, com comportamento mais bem delineado na sabedoria e no início de todos os ensinamentos do Mestre Jesus. Não estamos aqui para convencer ninguém, mas estritamente para o nosso aprimoramento.

A observação de que temos mais ouvidos e olhos do que apenas uma boca nos traz a certeza de que a reflexão deve ser maior do que a conversação.

E à medida que nos observamos aprendemos mais, e a paz começa a se intensificar em nosso coração.

Patrocinadores
Claudia Teresa Lopes Anuncio

Leia também

O sofrimento é opcional (O aprendizado é necessário)

CÍNTHIA CORTEGOSO http://contoecronica.wordpress.com   O sofrimento é sempre uma escolha. Podemos passar por fortes dores sem sofrer, ou, então, por

Ação sem apego é crescimento

CÍNTHIA CORTEGOSO http://contoecronica.wordpress.com/   Quando a ação for realizada sem apego aos resultados, então, a compreensão do fluxo universal terá

A escolha entre o caos e a paz

CÍNTHIA CORTEGOSO O caos se instala em nós quando nos distanciamos de Deus. O mais insignificante contratempo pode se transformar

Somos medidos por milênios

Por Orson Peter Carrara   O leitor há de concordar comigo que a evolução moral é bem mais lenta que

Atos bondosos salvam

Por CÍNTHIA CORTEGOSO Que toda palavra cause mais amor do que ferida; que se ainda não houver a palavra sábia

Ensinamento de Jesus: Evolução Espiritual e o propósito da encarnação

Por Luiz Carlos Afonso   “Se vos tenho falado de coisas terrestres, e não me credes, como crereis se vos