E continuamos com as preocupações com o futuro e as inesquecíveis múltiplas lembranças do passado. E quanto ao presente, desperdiçamos tudo o que há de real. Deixamos ir o que, de fato, podemos viver, sentir, contemplar, consertar, conhecer, renovar, amar, doar, retribuir, experienciar, amparar… para principalmente nos amedrontarmos (futuro) e arrependermos (passado). E, assim, a vida, constante, segue.
O momento sublime que une o que não se muda mais com o que ainda não existe é a ponte abençoada chamada presente. E, incrivelmente, este é o tempo e o lugar reais, é quando estamos despertos para crescer e para ser a nossa melhor versão, o nosso eu verdadeiro. E este tempo é tão perfeito, que ele não precisa mais morrer para renascer, naturalmente, ele é o tudo e o nada, é a vida ininterrupta e efêmera com a luz da eternidade.
As preocupações com o futuro nos minam a energia que deveria ser utilizada para as realizações que ditarão o andamento do porvir. O futuro será custoso se o presente não foi vivido com mais coerência, responsabilidade, boa direção, bondade, amor. Vivemos hoje de acordo com o passado que, também, no tempo adequado foi o presente, ou seja, a nossa percepção desperta sempre nos direcionará.
Então, hoje, o que devemos fazer? Quais os nossos valores, pensamentos, sentimentos? Com a experiência passada, podemos (re)agir com mais sabedoria, com mais luz para os passos rumo ao dia que se tornará um presente. Se a preocupação e a valorização devem ser para o agora, quanto espaço liberamos para amar mais, apreciar e aprender.
À medida que introspectamos essa ideia, assim nos devolvemos às grandes e sinceras vivências; começamos a olhar mais para o céu, os campos e os rios; a sentir sinceramente o amor e a bondade de Deus, o amparo dos bons espíritos; a perceber a beleza incondicional e incomparável da natureza; começamos a observar mais os olhos alheios em vez do status social. Iniciamos, dessa forma, a nossa reconexão com o Universo, com o que significa verdadeiramente para o espírito, a reconexão com o nosso tríplice corpo que, na ausência do presente, o espírito se distancia e se perde.
Lembramo-nos de que não somos daqui, apenas estamos mais uma vez, e voltaremos para o nosso lar, com a intenção principal de nossa bem singela melhoria (assim seja!). Quando estamos despertos passamos a sentir a nossa essência; e se há muitas faltas a serem resgatadas, que sejamos o nosso iluminado presente, saldando um pouquinho as dívidas pretéritas, e preparando, com mais atenção, o andamento futuro.
E as conquistas serão valorizadas e toda a alegria será vivida. Quanto às difíceis ocorrências do presente, estaremos mais tranquilos, pois tudo passa, o bem e o mal, a noite e o dia, o desafio e os belos acontecimentos. E o momento presente continuará como o mais decisivo e mais uníssono momento da vida.