Por Jubery Rodrigues Dos Santos
“Morrer, não é morrer, mas apenas mudar-se”. (Vitor Hugo)
Escrever sobre Tanatologia, o estudo da Vida através da Morte, é mergulhar em um dos temas mais universais e, ao mesmo tempo, mais evitados da experiência humana. Para um artigo de duas páginas, o ideal é estruturar o texto partindo do conceito técnico, até o impacto psicossocial.
O que é Tanatologia?
Etimologicamente, a palavra deriva do grego Thánatos (morte) e logos (estudo). Diferente do que o senso comum sugere, a Tanatologia não é o “culto à morte”, mas sim o estudo científico e humanístico da morte e do morrer.
Ela foca nos processos psicológicos, sociais e éticos que envolvem o fim da existência, buscando humanizar o atendimento a pacientes terminais e apoiar aqueles que enfrentam o luto.
A Evolução do Olhar sobre a Morte
Antigamente, a morte era um evento familiar e doméstico. Com o avanço da medicina no século XX, ela foi “hospitalizada” e consolidou-se um tabu, no ocidente. A Tanatologia moderna, impulsionada por pioneiros como a psiquiatra **Elisabeth Kübler-Ross**, resgatou a necessidade de olhar para o paciente como um ser biopsicossocial, e não apenas um prontuário médico.
Os Pilares do Estudo
- O Processo de Morrer: O foco na dignidade, nos cuidados paliativos e no controle da dor (física e existencial).
- O Luto: A análise de como os sobreviventes processam a perda. O luto não é uma doença, mas uma resposta emocional necessária.
- Bioética: Discussões sobre ortotanásia (morte natural no tempo normal), eutanásia e os limites da intervenção médica (distanásia).
Os Cinco Estágios do Luto e a Bioética no Final da Vida:
Estes tópicos são o “coração” de qualquer texto acadêmico sobre o tema.
- O Modelo de Kübler-Ross: Os Cinco Estágios – Em sua obra Sobre a Morte e o Morrer (1969), Elisabeth Kübler-Ross, identificou padrões de comportamento em pacientes terminais. Hoje, esses estágios são aplicados a qualquer perda significativa. É importante ressaltar que esses estágios não são lineares; a pessoa pode saltar entre eles ou ficar retida em um por mais tempo. A- Fase Típica Negação: Um mecanismo de defesa temporário. O choque impede a assimilação da notícia. “Isso não pode estar acontecendo”.
B-“Raiva: Quando a negação cai, surge o sentimento de injustiça e revolta contra o destino, médicos ou Deus. “Por que eu? Não é justo!
C-“Barganha: uma tentativa de “negociar” com uma entidade superior ou com a medicina em troca de mais tempo”. “Se eu me curar, serei uma pessoa melhor”. “
C- “Depressão: ocorre quando a perda é inevitável”. Há um grande silêncio e retirada do mundo externo para processar a dor. “Para que serve tudo isso? Por que continuar? “
D- “Aceitação não é necessariamente um estado de felicidade, mas de paz e prontidão. A dor dá lugar à resignação. “Estou pronto”. Vou organizar minhas coisas.”
- A da tanatologia na bioética, precisa discutir os termos técnicos ortotanasia e cuidados paliativos que definem como morremos hoje. Isso demonstra que a pesquisa a fundo tem uma interface entre psicologia e medicina.
A ortotanásia: é o foco principal da Tanatologia. Significa a “morte correta” ou no tempo certo. Não se abrevia a vida, nem se prolonga o sofrimento com máquinas.
A Distanásia: Considerada o oposto da Tanatologia humanizada. É o prolongamento artificial do processo de morte, muitas vezes causando sofrimento fútil ao paciente (obstinação terapêutica).
Cuidados Paliativos: É a abordagem prática. Em vez de focar na “cura” (que não é mais possível), foca-se no conforto. Trata-se a dor física, mas também a dor espiritual e social.
- O Luto como Processo de Reconstrução Para, pode-se abordar a visão de autores como William Worden, que complementa Kübler-Ross. Ele argumenta que o luto não é algo que “passamos por”, mas algo que “trabalhamos”.
As quatro tarefas do luto seriam:
- Aceitar a realidade da perda.
- 2-Processar a dor da perda.
- Ajustar-se a um mundo onde o falecido está ausente.
- Encontrar uma conexão duradoura com o falecido enquanto se inicia uma nova vida.
Por que estudar a morte?
O objetivo final da Tanatologia é, paradoxalmente, melhorar a qualidade de vida. Ao aceitar a finitude, indivíduos e profissionais de saúde conseguem priorizar o que realmente importa, promovendo despedidas mais saudáveis e tratamentos mais humanos.
Fontes Recomendadas para sua Bibliografia:
-KÜBLER-ROSS, Elisabeth. Sobre a Morte e o Morrer. (A obra mais clássica da área, onde ela descreve os cinco estágios: negação, raiva, barganha, depressão e aceitação).
-ARIÈS, Philippe. História da Morte no Ocidente. (Excelente para a parte histórica de como a percepção da morte mudou ao longo dos séculos).
-KOVÁCS, Maria Julia. Educação para a Morte. (Referência brasileira essencial sobre como abordar o tema em ambientes escolares e hospitalares).
ALLAN KARDEC – O Céu e o Inferno – 2ª Parte Cap. I – O Passamento.
ALLAN KARDEC – O Livro dos Espíritos – perguntas 154 a 156.
ARANTES, ANA CLAUDIA QUINTANA – A Morte é um dia que Vale a Pena Viver.