Por D.O.D
Na Casa Espírita temos o hábito de proferir prece no inicio e no final das reuniões doutrinárias, facilitando-se, dessa forma, a ligação com os benfeitores da vida maior. Não basta estar reunidos materialmente, mas estar espiritualmente, pela comunhão de intenções e pensamentos para o bem. A prece enlaça os Espíritos.
Diz o escritor Herminio Miranda que muito raramente os Espíritos procuram perturbar a prece numa reunião. Geralmente ouvem-na em silêncio, senão respeitoso, pelo menos comedido. (…)
A pessoa que ora transforma-se em um foco irradiador de energias salutares que beneficia a si mesma e a quem se encontra no seu campo de ação. Daí os Espíritos orientadores recomendarem, insistentemente, a oração como um bom hábito que deva ser incorporado ao cotidiano da existência.
Quanto possível, abandonar as fórmulas decoradas e a leitura maquinal das “preces prontas”, e viver preferentemente as expressões criadas de improviso, deixando fluir os bons sentimentos e a fé. Há diferença fundamental entre orar e declamar. A oração, acima de tudo, é sentimento.
As condições da prece foram claramente definidas por Jesus. Quando orardes, diz ele, não vos coloqueis em evidência, mas orai em secreto. Não afeteis em orar demasiado, porque não será pelas muitas palavras que sereis atendidos, mas pela sinceridade delas. Antes de orar, se tiverdes qualquer coisa contra alguém, perdoai, porque a prece não poderia ser agradável a Deus, se não partisse de um coração purificado de todo sentimento contrário à caridade. Orai, enfim, com humildade, como o publicano, e não com orgulho, como o fariseu (Parábola do Fariseu e o Publicano).
O que Deus nos concederá, se pedirmos com confiança, é a coragem, a paciência e a resignação. E os meios de nos livrarmos das dificuldades, com a ajuda das ideias que nos serão sugeridas pelos Bons Espíritos, de maneira que o mérito da ação será nosso. Deus assiste aos que se ajudam a si mesmos, segundo a máxima: “Ajuda-te e o céu te ajudará”, e não aos que tudo esperam do socorro alheio, sem usar as próprias faculdades. Mas, na maioria das vezes, preferimos ser socorridos por um milagre, sem nada fazermos.
A lei de Deus, que tudo regula, inclusive a nossa vida, não é e não pode ser ilógico capricho, como frequentemente cremos e como, tais somos nós, assim desejaríamos, para que pudéssemos submeter à nossa vontade. Nesta lei que guia e rege o universo, tudo é ordem, lógica, método, disciplina. (…) A desordem não está na lei, nem em Deus, mas somente em nós.
De essência divina, a prece será sempre o reflexo positivamente sublime do Espírito, em qualquer posição, por obrigá-lo a despedir de si mesmo os elementos mais puros que possa dispor.
A mente centralizada na oração pode ser comparada a uma flor estelar, aberta ante o infinito, absorvendo-lhe o orvalho nutriente de vida e luz.
O Espiritismo nos faz compreender a ação da prece, ao explicar a forma de transmissão do pensamento, seja quando o ser a quem oramos atende ao nosso apelo, seja quando o nosso pensamento eleva-se a ele. Para se compreender o que ocorre nesse caso, é necessário imaginar todos os seres, encarnados e desencarnados, mergulhados no fluido universal que preenche o espaço, assim como na Terra estamos envolvidos pela atmosfera. Esse fluido é impulsionado pela vontade, pois é o veículo do pensamento, como o ar é o veículo do som, com a diferença de que as vibrações do ar são circunscritas, enquanto as do fluido universal se ampliam ao infinito. Quando, o pensamento se dirige para algum ser, na Terra ou no espaço, de encarnado para desencarnado, ou vice-versa, uma corrente fluídica se estabelece de um a outro, transmitindo o pensamento, como o ar transmite o som. A energia da corrente está na razão direta da energia do pensamento e da vontade. É assim que a prece é ouvida pelos Espíritos, onde quer que eles se encontrem, assim que os Espíritos se comunicam entre si, que nos transmitem a suas inspirações, e que as relações se estabelecem à distância entre os próprios encarnados.
Lembremo-nos, porém que as boas ações são as melhores preces, porque atos valem mais que palavras…
Fontes:
- O Evangelho Segundo o Espiritismo– Allan Kardec;
- O Livro dos Espíritos – Allan Kardec;
- Apostila UEM (União Espírita Mineira);
- Diálogo com as sombras – Herminio Miranda.