A paz nasce da gentileza, da simplicidade, da bondade, do amor. Não há registro de ações rudes que pacificaram situações ou conversas insensatas que resultaram em finais felizes. No início, é um trabalho árduo pensar antes de reagir, porém é a mais coerente reação; se toda provocação for devolvida com a mesma dura intensidade, a paz ficará ainda mais distante. Quando alguém fala muito e sem a consciência do que expõe, ou pensa que sabe bem mais do que realmente conhece, tanto melhor deixar a criatura falar sozinha e perder-se na própria ainda imaturidade. Porque é sábio que enquanto a criatura não desejar o seu crescimento, assim não haverá melhoria alguma.
De fato, um dos mais indelicados e inconvenientes contextos é o da pessoa que não permite que outrem exponha a sua ideia, o seu pensamento, ou seja, em sua minúscula redoma ainda deseja controlar e amedrontar outras formas de ver e pensar que não se assemelham com a sua. E continuam com a inoportunidade, naturalmente, tornando-se cada vez mais irrelevantes sem ao menos querer perceber.
Para todos, há muito mais para aprendizagem do que o conteúdo por si só já aprendido. No entanto algumas pessoas sem a mínima sensatez continuam a infeliz conversação e exposição de ideias rasas e limitadas. E novamente lembramos que temos apenas uma boca, dois olhos e dois ouvidos, uma soma métrica da sabedoria.
Ainda outro fator determinante é quando há o monólogo barulhento ‒ pode-se comparar com a carroça vazia que faz muito barulho no caminho enquanto a cheia, silenciosamente útil, desempenha com habilidade o seu trabalho ‒, já que tudo fala, pois pensa que sabe tudo. E o tempo passa e a criatura começa a observar que se encontra estagnada, e ao seu lado encontram-se apenas pessoas aprisionadas, por alguma questão, e limitadas.
Então, percebemos que mais vale a paz em nosso coração do que ganhar uma discussão; mais vale a consciência calma do que desequilibradamente impor um pensamento a qualquer criatura que seja. Sempre valerá mais o crescimento interior silencioso do que a estrondosa imposição sem razão de ser.
A sabedoria de observar mais do que falar é tão milenar e rica que devemos sempre trazê-la à memória. E quanto ao outro, nada se pode fazer apenas desejar que se observe e compreenda a sua real condição. Para isso, é necessário querer observar-se e a humildade precisa ser alimentada e fortalecida. É muito gratificante tornar-se mais sensato.
E todos os dias são o tempo para a retomada de uma estrada melhor, com comportamento mais bem delineado na sabedoria e no início de todos os ensinamentos do Mestre Jesus. Não estamos aqui para convencer ninguém, mas estritamente para o nosso aprimoramento.
A observação de que temos mais ouvidos e olhos do que apenas uma boca nos traz a certeza de que a reflexão deve ser maior do que a conversação.
E à medida que nos observamos aprendemos mais, e a paz começa a se intensificar em nosso coração.