REUNIÕES MEDIÚNICAS – Parte XIII – DAS OBSESSÕES

REUNIÕES MEDIÚNICAS – Parte XIII DA INFLUÊNCIA DOS ESPÍRITOS EM NOSSAS VIDAS – DAS OBSESSÕES Dando sequência ao estudo das influências espirituais, trataremos do capítulo XXIII de O Livro dos Médiuns – DA OBSESSÃO. No número das dificuldades que a prática do Espiritismo apresenta é necessário colocar a da obsessão em primeira linha. Trata-se do domínio que alguns Espíritos podem adquirir sobre certas pessoas. São sempre os Espíritos inferiores que procuram dominar, pois os bons não exercem nenhum constrangimento. Os bons aconselham, combatem a influência dos maus, e se não os escutam preferem retirar-se. Os maus, pelo contrário, agarram-se aos que conseguem prender. Se chegam a dominar alguém, identificam-se com o Espírito da vítima e a conduzem, como se faz com uma criança. Classificando as obsessões – Quanto ao sujeito ativo, a obsessão será: Individual – quando provocada por apenas um obsessor; Coletiva – quando provocada por mais de um obsessor. Nestes casos, os obsessores tanto podem estar desenvolvendo ações independentes, embora produzidas por motivos semelhantes, quanto podem estar organizados, exercendo sistematicamente a influência obsessiva. Quanto ao sujeito passivo, teremos também: Individual – quando sofrida por um só obsidiado; Coletiva – quando a ação é exercida sobre um grupo de indivíduos. Kardec classificou a obsessão quanto ao grau de influenciação como: Obsessão simples – verifica-se quando um Espírito malfazejo se impõe a um médium, intromete-se contra a sua vontade nas comunicações que ele recebe, o impede de se comunicar com outros Espíritos (…). Não se está obsedado pelo simples fato de ser enganado por um Espírito mentiroso, pois o melhor médium está sujeito a isso, sobretudo no início, quando ainda lhe falta a experiência necessária, como entre nós as pessoas mais honestas podem ser enganadas por trapaceiros. Pode-se, ser enganado sem estar obsedado. A obsessão consiste na tenacidade de um Espírito do qual não se consegue desembaraçar. Na obsessão simples o médium sabe perfeitamente que está lidando com um Espírito mistificador, que não se disfarça e nem mesmo dissimula de maneira alguma as suas más intenções e o seu desejo de contrariar. O médium reconhece facilmente a mistificação, e como se mantém vigilante raramente é enganado. A Obsessão simples também existe para os que não são médiuns ostensivos. Ocorre quando o agente se impõe, de modo sutil e tenaz, à sua vítima, sugerindo pensamentos negativos, despertando emoções estranhas e inexplicáveis. A fascinação tem consequências, muito mais graves. Trata-se de uma ilusão criada diretamente pelo Espírito no pensamento do médium e que paralisa de certa maneira a sua capacidade de julgar as comunicações. O médium fascinado não se considera enganado. O Espírito consegue inspirar-lhe uma confiança cega, impedindo-o de ver a mistificação e de compreender o absurdo do que escreve ou fala, mesmo quando este salta aos olhos de todos. A ilusão pode chegar ao ponto de levá-lo a considerar sublime a linguagem mais ridícula. Enganam-se os que pensam que esse tipo de obsessão só pode atingir as pessoas simples, ignorantes e desprovidas de senso. Os homens mais corretos, mais instruídos e inteligentes não estão mais livres dessa ilusão, o que prova tratar-se de uma aberração produzida por uma causa estranha, cuja influência os subjuga. (…) graças a essa ilusão que lhe é consequente o Espírito dirige a sua vítima como se faz a um cego, podendo levá-lo a aceitar as doutrinas mais absurdas e as teorias mais falsas como sendo as únicas expressões da verdade. Além disso, pode arrastá-lo a ações ridículas, comprometedoras e até mesmo bastante perigosas. (…) Compreende-se também que os Espíritos provocadores das obsessões simples e de fascinação devem ser diferentes quanto ao caráter. Na obsessão simples, o Espírito que se apega ao médium é apenas um importuno pela sua insistência, do qual ele procura livrar-se. Na fascinação, é muito diferente, pois para chegar a tais fins o Espírito deve ser esperto, ardiloso e profundamente hipócrita. Porque ele só pode enganar e se impor usando máscara e uma falsa aparência de virtude. As grandes palavras como caridade, humildade e amor a Deus servem-lhe de carta de fiança. Mas através de tudo isso deixa passar os sinais de sua inferioridade, que só o fascinado não percebe; e por isso mesmo ele teme, mais do que tudo, as pessoas que veem as coisas com clareza. Sua tática é quase sempre a de inspirar ao seu intérprete afastamento de quem quer que possa abrir-lhe os olhos. Evitando, por esse meio, qualquer contradição, está certo de ter sempre razão. Também atinge não só o médium – o obsessor incute no obsidiado ideias de grandeza, pensamentos de inferioridade, sugestões absurdas e ridículas, levando-o a viver fora da realidade. A ilusão é tão perfeita que a vítima se torna cega, obstinada pela necessidade de ter dinheiro, poder, prazeres sexuais etc., não percebendo a situação delicada e esdrúxula em que se encontra. A subjugação é um envolvimento que produz a paralisação da vontade da vítima, fazendo-a agir malgrado seu. Esta se encontra, sob um verdadeiro jugo. A subjugação pode ser moral ou corpórea. No primeiro caso, o subjugado é levado a tomar decisões frequentemente absurdas e comprometedoras que, por uma espécie de ilusão considera sensatas: é uma espécie de fascinação. No segundo caso, o Espírito age sobre os órgãos materiais, provocando movimentos involuntários. A Possessão – Kardec, como vemos em O Livro dos Médiuns, inicialmente não admitia a possessão, o domínio exercido pelos maus Espíritos, quando a sua influência chegava a produzir a aberração das faculdades humanas. Não adotamos esse termo, como explica, por dois motivos: primeiro, por implicar a crença na existência de seres criados para o mal e perpetuamente votados ao mal, quando só existem seres mais ou menos imperfeitos e todos eles suscetíveis de se melhorarem; segundo, por implicar também a ideia de tomada do corpo por um Espírito estranho, numa espécie de coabitação, achava que não existisse possessos, no sentido vulgar do termo, mas apenas obsedados, subjugados e Embora tivesse rejeitado inicialmente a palavra possessão, a repete várias vezes na Revista Espírita, conforme podemos verificar
Reuniões Mediúnicas – Parte XII da Influência dos Espíritos em Nossas Vidas

Por D.O.D Este estudo está baseado no Livro dos Espíritos, segunda parte, capítulo IX e Livro dos Médiuns capítulo XXIII e obras paralelas. “Se o homem pudesse contemplar com os próprios olhos as correntes de pensamento, reconheceria, de pronto, que todos vivemos em regime de comunhão, segundo os princípios da afinidade. É que sentindo, mentalizando, falando ou agindo, sintonizamo-nos com as emoções e ideias de todas as pessoas, encarnadas ou desencarnadas, da nossa faixa de simpatia”. Os Espíritos influem sobre os nossos pensamentos e as nossas ações mais do que supomos, porque muito frequentemente são eles que nos dirigem. Essas influências vêm dos Espíritos imperfeitos, que procuram envolver e dominar o homem, e que ficam felizes de o fazer sucumbir. Foi o que se quis representar na figura de Satanás. Os Espíritos exercem influência sobre os acontecimentos da vida e aconselham. Podem ver o que fazemos, pois estamos incessantemente rodeados por eles. Mas, cada um só vê aquelas coisas a que dirige a sua atenção, porque eles não se ocupam das que não lhes interessam. Os Espíritos podem conhecer os nossos pensamentos mais secretos, até aquilo que desejamos ocultar a nós mesmos (…). Que pensam de nós os Espíritos que estão ao nosso redor e nos observam? – Isso depende. Os Espíritos levianos riem das pequenas traquinices que nos fazem, e zombam das nossas impaciências. Os Espíritos sérios lamentam as nossas trapalhadas e tratam de nos ajudar. Podemos distinguir os nossos próprios pensamentos dos que nos são sugeridos. Quando um pensamento nos é sugerido, é como uma voz que nos fala. Os pensamentos próprios são, em geral, os que nos ocorrem no primeiro impulso. De resto, não há grande interesse para nós nessa distinção e é frequentemente útil não o saber, assim agimos mais livremente; se decidir pelo bem, o fará de melhor vontade; se tomar o mau caminho, sua responsabilidade será maior. Os Espíritos imperfeitos nos induzem ao mal para nos fazer sofrer com eles. Embora isso não diminua seus sofrimentos, o fazem por inveja dos seres mais felizes. Podemos nos afastar da influência dos Espíritos que incitam ao mal, porque eles só se ligam aos que os solicitam por seus desejos ou os atraem por seus pensamentos. (Analisar onde está nosso interesse pessoal, nosso desejo central) Quando experimentamos um sentimento de angústia, de ansiedade indefinível ou de satisfação interior sem causa conhecida, é quase sempre um efeito das comunicações que, sem o saber, tivemos com os Espíritos, ou das relações que tivemos com eles durante o sono. Todos podemos afastar os maus Espíritos e libertar-nos do seu domínio, pois sempre se pode sacudir um jugo, quando se tem uma vontade firme. Há pessoas animadas de boas intenções e nem por isso menos obsedadas. O melhor meio de se livrar dos Espíritos obsessores é cansar-lhes a paciência, não dar nenhuma atenção às suas sugestões, mostrar-lhes que perdem tempo; então, quando eles veem que nada têm a fazer, se retiram. A prece é um meio poderoso de socorro para todos os casos, mas não é suficiente murmurar algumas palavras para obter o que se deseja. Deus assiste aos que agem, e não aos que se limitam a pedir. Cumpre, portanto, que o obsedado faça, de seu lado, o que for necessário para destruir em si mesmo a causa que atrai os maus Espíritos. Há Espíritos que se ligam a um indivíduo em particular, para o proteger – o irmão espiritual; é o que chamais o bom Espírito ou o bom gênio. O anjo da guarda é um Espírito protetor de uma ordem elevada. Voltaremos ao assunto influência dos Espíritos em nossas vidas, no próximo tema que será: A Obsessão. Fontes: Pensamento e Vida, cap. 8; O Livro dos Espíritos 2ª parte cap. IX; O Livro dos Médiuns cap. XXIII; Seara dos médiuns cap. Obsessão; Caminho, Verdade e Vida cap. 180.