Desenvolvimento ou Educação da Mediunidade

POR DOD Nos estudos anteriores já tratamos do funcionamento de uma reunião mediúnica, seus componentes e alguns tipos de Espíritos que se comunicam neste tipo de reunião. Neste estudo tratamos do desenvolvimento ou educação da mediunidade. Lembramos que o assunto é muito abrangente e que aqui abordamos de forma resumida, sugerimos que aprofundem o assunto nas obras de referência. Em primeiro lugar é preciso entender que a mediunidade é uma faculdade natural, que surge espontaneamente. Não se deve procurar desenvolvê-la enquanto não aflorar por si só. Em erro grave incorre quem queira forçar a todo custo o desenvolvimento de uma faculdade que não possua. Deve a pessoa cultivar todas aquelas de que reconheça possuir o gérmen. Procurar a força ter as outras é, antes de tudo, perder tempo, e, em segundo lugar, perder talvez, enfraquecer com certeza, as de que seja dotado. (…) se os rudimentos da faculdade mediúnica não existem, nada fará que apareçam. (Kardec) O desenvolvimento mediúnico a ser promovido nos centros espíritas não deve nunca ser entendido como o aprendizado de técnicas e métodos para fazer surgir a mediunidade, pois que não os há nem pode haver, mas exclusivamente como o aprimoramento e direcionamento útil e equilibrado das faculdades surgidas de forma natural, o que pressupõe o aperfeiçoamento integral do médium, por meio do estudo sério e de seus esforços incessantes para amoldar suas ações às diretrizes evangélicas. O desenvolvimento da faculdade mediúnica depende da natureza mais ou menos expansível do perispírito do médium e da maior ou menor facilidade da sua assimilação pelo dos Espíritos. O desenvolvimento da mediunidade deve ser entendido unicamente como a sua educação, o seu aprimoramento, a sua disciplina, o seu direcionamento útil para o bem. A mediunidade não é a causa primária dos desequilíbrios orgânicos e psicológicos. O exercício da mediunidade não deve ser colocado como a culminação obrigatória das atividades do cooperador da Casa espírita. Por que desenvolver a mediunidade? Nós sabemos que na Terra estamos rodeados por Espíritos desencarnados que a todo instante, através do pensamento, nos influenciam e são influenciados por nós. Sendo os médiuns, por características próprias de seu corpo físico, indivíduos mais sensíveis, captam com maior facilidade a influência dos Espíritos, podendo sofrer, às vezes, consequências desagradáveis em decorrência de possuir uma faculdade que não conhecem e não dominam. Além disso, nós sabemos que da faculdade mediúnica podem dispor-se bons e maus Espíritos… “Mediunidade, por si só não basta. É necessário sabermos que tipo de onda mental assimilamos, para conhecer a qualidade do nosso trabalho e julgar nossa direção. É perigoso possuir sem saber usar”(Nos Domínios da Mediunidade) Assim, é a mediunidade uma faculdade inerente à própria vida, sendo semelhante ao dom da visão comum, peculiar a todas as criaturas, responsável por tantas glórias e por Terra. A primeira precaução é armar-se o médium de uma fé sincera, sob a proteção de Deus, pedindo a assistência do seu anjo guardião. Este é sempre bom, enquanto os Espíritos familiares, simpatizando com as boas ou más qualidades do médium, podem ser levianos ou até mesmo maus. A segunda precaução é dedicar-se com escrupuloso cuidado a reconhecer, por todos os indícios que a experiência oferece, a natureza dos primeiros Espíritos comunicantes, dos quais é sempre prudente desconfiar. Se esses indícios forem suspeitos, deve-se apelar com fervor ao anjo guardião e repelir com todas as forças o mau Espírito, provando-lhe que não conseguiu enganar, para o desencorajar. Eis por que o estudo prévio da teoria é indispensável, se o médium pretende evitar os inconvenientes inseparáveis da falta de experiência. (…)   Recomendações de Kardec relacionadas aos aspectos gerais e positivos que devem ser observados no desenvolvimento mediúnico: a) Calma, recolhimento e vontade firme, em primeiro lugar; b) Solidão, silêncio e afastamento de tudo o que possa ser causa de distração; c) Reunir-se com pessoas animadas do mesmo desejo e comungando a mesma intenção; d) Auxílio de médiuns já formados; e) Emprego de magnetismo, que o codificador aconselha dirigir às áreas motoras, nos médiuns psicógrafos, mas que se tem mostrado útil, também, quando aplicado nos centros de captação mediúnica – coronário e cerebral – nos médiuns psicofônicos inexperientes ou em dificuldades de sintonia, por cansaço ou aturdimento. É preciso fazer uma distinção clara entre a mediunidade, enquanto faculdade, e o seu uso e exercício. Se a faculdade em si é neutra, o mesmo não vale para o seu uso, que pode ser bom ou mau, dependendo da condição moral do médium. Nada verdadeiramente importante se adquire sem trabalho… Uma lenta e laboriosa iniciação se impõe aos que buscam os bens superiores. Como todas as coisas, a formação e o exercício da mediunidade encontram dificuldades, bastantes vezes já assinaladas; convém insistirmos nisso, a fim de prevenir os médiuns contra as causas de erros e de desânimo. (Leon Denis – No Invisível). (…) A mediunidade é uma delicada flor que, para desabrochar, necessita de acuradas precauções e assíduos cuidados. Exige o método, a paciência, as altas aspirações, os sentimentos nobres, e, sobretudo, a terna solicitude do bom Espírito que a envolve em seu amor, em seus fluidos vivificantes. Quase sempre, porém, querem fazê-la produzir frutos prematuros, e desde logo se estiola [enfraquece] e fana ao contato dos Espíritos atrasados.           Fontes: O Livro dos Médiuns – Allan Kardec; Estudo sobre a Mediunidade – Silvio e Clarice Seno Chibeni; Apostila UEM; Nos Domínios da Mediunidade; Estudando o Livro dos Mèdiuns – Projeto Manoel Philomeno de Miranda.

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