Eusápia Paladino

Por Jubery Rodrigues Fonte: Personagens do espiritismo   Nascida em Minervino, Itália, no dia 31 de março de 1854 e desencarnada no dia 9 de julho de 1918, na cidade de Nápoles, no mesmo país.     A sua mediunidade surgiu no ano de 1868, quando tinha apenas 14 anos de idade. Dali em diante o seu trabalho no campo das pesquisas psíquicas foram de tal relevância, que se pode dizer ter sido uma das maiores médiuns do mundo.    Quando eclodiu a sua mediunidade, ela era órfã de pai e mãe, e seus parentes pretendiam enviá-la para um convento, entretanto, a sua apresentação no mundo científico somente foi consumada em 1888, quando o professor Chiaia convidou Cesare Lombroso para examiná-la, o que somente se verificou no ano de 1891.    Os fenômenos físicos produzidos por meio dessa famosa médium foram de vários matizes: movimento de objetos, levitação de mesas e dela própria, aparição de luzes, materializações, execução de trechos musicais sem contato humano, por meio de vários instrumentos e outros.    Os inúmeros cientistas que fizeram pesquisas por seu intermédio, em centenas de sessões, eram ferrenhos detratores do Espiritismo, e objetivavam tão somente demonstrar possíveis fraudes. No entanto, ela conseguiu convencer a grande maioria desses sábios, apesar de eles desconhecerem os mais elementares rudimentos sobre a dinâmica dos fenômenos mediúnicos.     Diante dos fenômenos propiciados por meio de Eusápia, desfilaram sábios de renome, tais como: Schiaparelli, Gerosa, Ermancora, Aksakof, Carl Du Prel, Charles Richet, Oliver Lodge, Fredrich Myers, Ochorowicz, Sigdwick, Richard Hodgson, Albert de Rochas, Camille Flammarion, Carlos Rochi, Vitoriano Sardou, Júlio Claretio, Adolfo Bisson, Gabriel Delanne, Fontenay, Ernesto Bozzano, os professores Porro, Morseui e Massales, além de muitos outros.  Morseui teve a oportunidade de observar cerca de 39 fenômenos; Fontenay conseguiu fotografá-la com as mãos presas pelos observadores, enquanto de sua cabeça saíam várias mãos; Cesare Lombroso se declarou “convencido e entristecido por haver combatido tantas vezes a possibilidade dos fenômenos espíritas.”     Eusápia era analfabeta, era extremamente bondosa e caridosa.  Tudo quanto conseguia amealhar, distribuía com os necessitados e com as crianças, sentindo as desventuras dos menos favorecidos pelos bens materiais e procurando resolver seus problemas.     Ela se tornou famosa por ter sido a médium que passou pelo exame do maior número de sábios, quase todos rendendo-se à evidência do Espiritismo.     Eusápia Paladino descreveu da seguinte maneira a eclosão de sua mediunidade:  “Na época em que eu comecei a participar de sessões espíritas, estava em Nápoles uma senhora de origem inglesa que havia desposado um napolitano, um senhor Damiani, irmão do deputado que ainda é vivo. Esta senhora era apaixonada pelo Espiritismo. Um dia em que ela participava de uma sessão, foi-lhe dirigida uma mensagem escrita, dizendo que havia chegado há pouco a Nápoles uma pessoa, que estava na rua tal, número tal, e se chamava Eusápia, e que era médium poderosa; e o Espírito comunicante, John King, dizia-se disposto a manifestar-se com fenômenos maravilhosos. O Espírito não falou a um surdo, porque a senhora quis verificar imediatamente a veracidade da mensagem e se dirigiu diretamente à rua tal, subiu ao terceiro andar, bateu numa porta e perguntou se ali morava uma certa Eusápia; e me encontrou a mim, que jamais havia imaginado que um tal John King houvesse vivido neste ou no outro mundo. E eis que, mal me colocaram a uma mesa com esta senhora, John King se manifestou, e daí por diante não me largou mais.  Isto tudo, sim, eu juro, disse Eusápia com certa ênfase, é a pura verdade, embora muita gente creia que eu tenha aceitado os fatos. Aí está como entrei neste ingrato ofício, que nunca desejei que existisse! Dizem que trabalho por dinheiro.   Quem o diz não me conhece. Por que deverei ter avidez de ganhar? Sou sozinha, sem filhos, sou uma mulher que tem poucas necessidades: mil liras por ano, e até mais, me dava a quitanda que eu tive que fechar. E outra coisa: que tenho ganho com isso? Ser considerada digna de me tornar conhecida por uma sociedade ilustre que eu nunca tinha sonhado que existisse, se continuasse a ser modesta mercadora. Porém, digna, digna, que quer dizer digna?  Digna me julgo eu por possuir o dom da mediunidade; mas digna sempre terei sido, porque, quando uma filha nasce de pai e mãe honestos e se comporta sempre corretamente, é digna de tudo”!  

Gabriel Delanne

Por Jubery Rodrigues dos Santos   François Marie Gabriel Delanne nascido, em Paris, França, no dia 23 de março de 1857 e desencarnado na mesma cidade, no dia 15 de fevereiro de 1926, era filho de Alexandre Delanne, amigo íntimo de Allan Kardec, e Marie-Alexandrine Didelot, portadora de mediunidade ostensiva e grande colaboradora da Codificação. Oriundo de família espírita, não teve dificuldade em assimilar as ideias reencarnacionistas. Kardec fez uma menção a Delanne criança na Revista Espírita de 1865 (Outubro), quando descreve um episódio em que o então menino faz uma mesa girar, demonstrando a uma senhora que podia conseguir o fenômeno, já que sua família também o fazia. Engenheiro de formação foi um dos primeiros pesquisadores sérios dos fenômenos espirituais, destacando-se no campo da mediunidade. Compreendendo que o perispírito estava no centro dos fenômenos espíritas, procurou distinguir mediunismo de animismo. Fundou a União Espírita Francesa, em 1882, e o jornal Le spiritisme, no mesmo ano.  Ao lado do filósofo Léon Denis, foi um importante divulgador das ideias espíritas nessa época.  Fez conferência por toda a Europa, inclusive na abertura do “I Congresso Espírita e Espiritualista”, que ocorreu em 1890. Auxiliou Charles Robert Richet, criador da metapsíquica, em suas pesquisas com a médium Marthe Béraud. Em 1896 fundou a Revista Científica e Moral de Espiritismo, que por muitos anos levou a público artigos científicos e filosóficos sobre a temática espírita. Adepto do método científico de investigação dos fenômenos espíritas, uniu a Ciência à Filosofia Espírita, pelas deduções a que chegou, como vemos na conclusão de sua obra “A Alma é Imortal”: “(…) mostremos que existe para todos os seres uma igualdade absoluta de origem e de destino e veremos efetuar-se a evolução espiritual e moral que há de acarretar o advento da era augusta da regeneração humana, pela prática da verdadeira fraternidade” (página 314). Determinado e defensor do caráter científico da Doutrina Espírita, elaborou obras literárias esclarecedoras de fundamentos da Doutrina Espírita, tais como: 1895 – “O Espiritismo perante a Ciência” 1893 – “O Fenômeno Espírita” 1895 – “Evolução Anímica” 1898 – “Pesquisa sobre a Mediunidade” 1899 – “A Alma é Imortal” 1909 – “As Aparições Materializadas” 1927 – “A Reencarnação”

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