REUNIÕES MEDIÚNICAS – Parte IV – Dialogadores

Compartilhe

WhatsApp
Facebook
Email

Por DOD

“O segredo do diálogo é o amor”

Dialogar é conversar, falar alternadamente. Manter entendimento visando solução de problemas.
Confusos pelas lições recebidas das religiões tradicionais, os Espíritos não encontram no Além,aquilo que esperavam: nem céu, nem inferno, muito menos o repouso até o juízo final, eles encontram a realidade espiritual fundamentada na existência da lei de causa e efeito, onde cada qual se mostra como é, sem disfarces, falsas aparências ou o verniz social e, muitas vezes ainda, cheios de condicionamentos materiais porque a morte não tem o poder de transformar ninguém.

O trabalho do dialogador nos grupos mediúnicos não é propriamente o de transmitir aos Espíritos desajustados instruções doutrinárias pura e simplesmente, consistindo antes em acolher irmãos mergulhados na dor, na revolta, na angústia, na ignorância, na alienação, na desorientação e, até, muitas vezes, na total inconsciência de si mesmos. Muitos desses Espíritos, senão a maioria deles, precisam de primeiros socorros urgentes.

O diálogo com os desencarnados torna-se uma necessidade por ensinar-lhes o caminho do bem e do perdão, despertando-os para a necessidade de renovação espiritual, ajudando-os a descobrirem o caminho para a sua libertação, dando uma apressadinha no seu progresso espiritual.

Regras para dialogar

As primeiras regras de um diálogo é a paciência e a tolerância. Toda conversa com os desencarnados na reunião de intercâmbio é um permanente exercício dessas duas virtudes.

A entrevista é uma tentativa de entendimento, não uma discussão, uma disputa.

O comunicante é uma visita, pois veio ao Centro Espírita e nós somos os anfitriões. Ficará muito mais irritado se o recebermos com frieza ou mesmo se nos deixarmos envolver pela sua agressividade e respondermos com idêntica hostilidade.

Evitar falar mais que o comunicante. Não se deve fazer um interrogatório. É preciso ouvir, aturar desaforos e impropérios, as vezes. Agressões verbais e impertinências. Aguardar o momento de falar. Identificar o “ponto de bloqueio emocional” do Espírito comunicante e trabalhar exclusivamente sobre ele.

Conversar naturalmente, de pessoa para pessoa, dispensando o estilo afetado de pregação e as figuras de retórica – não estamos exibindo-nos em um auditório. Ganhando uma alma, todos sentir-se-ão edificados.

VEJA TAMBÉM: REUNIÕES MEDIÚNICAS PARTE III – SUSTENTAÇÃO 

Usar, mas não abusar do recurso da prece, percebendo os casos e os momentos em que ele se faça indicado – a “ladainha” aborrece a todos, inclusive o Alto!

Nunca polemizar com os espíritos. Deve-se entender e convidá-los a observarem o andamento dos trabalhos e o desfilar de casos humanos que por eles passam, tirando suas próprias conclusões. Reconhecemo-nos desprovidos de recursos intelectuais para discutir e demonstrar respeito e apreço pelo comunicante – nossa missão é encontrá-lo. Jamais vencê-lo!

Não repreender o irmão em dor. Compreendamos! Entendamos suas razões, identificando-se com a sua realidade psíquica e procurando encontrar uma saída lógica para o companheiro. Não fazer inquérito. Não fazer pressão psicológica. Os tribunais inquisitoriais são privilégios exclusivos das trevas.

Jamais aceitar a condição de modelo e orientador – somos apenas companheiros de infelicidade em momento favorável para estender as mãos.

Sejamos amorosos, fraternos, sem, contudo, ser melosos.
Diante do desequilíbrio nervoso, sarcasmo ou ironia do espírito comunicante, use de energia com doses precisas. A fé espírita, como Kardec conceituou: sincera, convicta, lógica, plenamente suportada pela razão, mas sem frieza e sem ser vazia.

Dialogar é uma tarefa de amor. Amor não dispensa a convocação da razão.

Dispensemos a impaciência de encurtar a conversa, apelando para o “Você já Morreu…!” Não há por que acrescentar novos fatores de desajustes! O Espírito em perturbação precisa apenas de equilíbrio emocional e esperança.

Estudar é essencial – a formação doutrinária é de extrema importância. Não poderá fazer um bom trabalho, sem conhecimento íntimo dos postulados espíritas.

Não é preciso ser santo para fazer o diálogo, não podemos esperar perfeição para ajudar o irmão que sofre. É exatamente por sermos tão imperfeitos quanto ele que podemos servi-lo mais de perto.

É lógico e natural que os irmãos desorientados se concentrem no dialogador grande parte do esforço de envolvimento, bem como suas cóleras e ameaças. O dialogador precisa devolver todo esse concentrado vibratório, transformado em compreensão, tolerância e, principalmente, amor fraterno. Mas, chega um momento no diálogo que é preciso de uma postura firme, enérgica, mas não agressiva. É hora da Vigilância. O dialogador deve estar em permanente estado de vigilância quanto aos seus pensamentos, sentimentos, suposições, intuições, inspirações, a tudo que contém nas entrelinhas do que diz o manifestante, quanto ao que ocorre a sua volta, com sua
própria conduta não só no trabalho mediúnico, mas no proceder diário. O dialogador deve servir em estado de alerta constante.

Vai precisar sempre da humildade para aceitar as ironias, agressões e impertinências dos  pobres irmãos atormentados. Quando conseguir convencer o companheiro de seus erros e enganos não se julgar vencedor, vaidoso.

O dialogador deve mostrar toda a sua compaixão, humildade e respeito pela dor alheia. Ser humilde no aprendizado, cada irmão traz uma lição. Também é necessária quando não conseguimos convencer o companheiro infeliz, quando precisamos reconhecer o seu potencial intelectual superior ao nosso. Não precisamos nos curvar, mas reconhecer.
O dialogador em particular necessita da prudência, sempre!

“Para julgar os Espíritos, como para julgar os homens, é preciso que cada um, antes de tudo, se julgue a si mesmo”, sentença que corresponde ao ensinamento de Jesus: “Antes de quereres tirar o argueiro do olho do teu irmão, cuida de tirar a trave que está no teu próprio olho”.

_____________________________________________________________________________
No próximo estudo citaremos alguns tipos de Espíritos comunicantes nos Centros Espíritas.
Fontes: O Livro dos Médiuns
Diálogo com as Sombras – Herminio Miranda
Nos Domínios da mediunidade – André luiz/F.C.Xavier
Esclarecendo os desencarnados – Umberto Ferreira
Apostila UEM (União Espírita Mineira)
https://nucleoveredasdeluz.blogspot.com/2016/08/dialogo-e-dialogadores-da-reuniao_19.html

Patrocinadores
Claudia Teresa Lopes Anuncio

Leia também

REUNIÕES MEDIÚNICAS – Parte X Influência moral dos Médiuns

Neste mês, trataremos do capítulo XX de O Livro dos Médiuns. Lembramos que sempre é possível aprofundar o assunto no

REUNIÕES MEDIÚNICAS Parte IX: Reflexo condicionado

Por DOD   IMPORTÂNCIA DA REFLEXÃO: Entendendo-se que toda mente vibra na onda de estímulos e pensamentos em que se

REUNIÕES MEDIÚNICAS – Parte VIII – O pensamento

Por DOD Seguindo nossos estudos, trataremos de um tema importante, para os participantes de reuniões mediúnicas – O pensamento. Kardec

Desenvolvimento ou Educação da Mediunidade

POR DOD Nos estudos anteriores já tratamos do funcionamento de uma reunião mediúnica, seus componentes e alguns tipos de Espíritos

Foto: conteúdo espírita

REUNIÕES MEDIÚNICAS – Parte VI, os dirigentes

Neste estudo, trataremos da função de dirigente de reuniões mediúnicas.

REUNIÕES MEDIÚNICAS V – Espíritos Comunicadores

Nesta parte do estudo sobre Reuniões Mediúnica, apresentamos alguns tipos de Espíritos comunicantes. Estudando os tipos psicológicos, teremos mais facilidade

Pizza Seareiros de Jesus