Aulas prontas X personalizadas

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Por Martha Rios Guimarães

 

Recentemente, durante um curso para Educadores Espíritas, falamos sobre a diferença entre aplicar aulas prontas e construir um planejamento coletivo, desenvolvendo aulas específicas para a turma com as quais trabalhamos. A discussão foi produtiva. Ao final do encontro, uma das participantes me disse com sinceridade:

“Eu pegava uma aula pronta, aplicava e achava que estava bom. Mas depois da reflexão de hoje, vou começar a montar minhas próprias atividades, mesmo quando usar material pronto como ponto de partida.”

 

Esse tipo de retorno mostra que há espaço para evoluirmos juntos. Não se trata de desmerecer as chamadas “aulas prontas” fruto de trabalho, carinho e boa vontade. Elas podem, sim, servir de referência e inspiração. O problema começa quando elas se tornam única fonte, sem qualquer adaptação à realidade local ou às necessidades
específicas dos Educandos. Por “aula pronta” me refiro àquele roteiro já estruturado por alguém, com objetivos, desenvolvimento e recursos definidos. Publicadas em apostilas ou compartilhadas em grupos de tarefeiros espíritas, são materiais válidos. Contudo, carregam a visão e a experiência de seus criadores, sendo moldados a partir do perfil dos alunos de uma instituição específica, de uma época e realidade. Quando aplicadas sem a devida avaliação e, se preciso, sem adaptação, perdem parte de sua potência. Por isso, mesmo com um tema relevante, pode ter uma linguagem inadequada à faixa etária e não despertar interesse porque o material programático não dialoga com a realidade vivenciada pelo público infanto juvenil. Em contrapartida, as atividades provenientes do planejamento coletivo – nascido do diálogo, da troca, da escuta atenta entre os Educadores de uma instituição -, considera as crianças e jovens que estão ali: suas dúvidas, suas vivências, sua linguagem, suas reações aos encontros anteriores, etc. Claro que para trabalhar assim, é necessário tempo, disposição para ouvir, para sugerir, para revisar. Mas os resultados são evidentes: maior apropriação do conteúdo por parte dos coordenadores da tarefa, maior coesão entre as aulas e, principalmente, Educandos mais envolvidos, porque percebem que a aula “fala com eles”. Alguns podem pensar que planejar previamente limita a ação do facilitador, mas um bom plano de ação oferece estrutura com liberdade. Sabemos o tema, o objetivo, as atividades. Porém, diante de uma intuição espiritual ou de uma demanda inesperada, podemos fazer ajustes sem perder a direção. Aliás, é justamente por termos clareza doque queremos com aquela aula que conseguimos adaptá-la com sabedoria, sem cair no improviso vazio. Vale lembrar que a transformação do ser só acontece quando a mensagem espírita toca, de verdade, nosso mundo interno. E isso só é possível quando as informações doutrinárias transmitidas se conectam à nossa vivência cotidiana.

Além disso, o Educador Espírita é mais do que alguém que “passa conteúdo”: ele é ponte entre o Espiritismo e o coração do Educando. Dessa forma, é preciso que tenha preparo, sensibilidade e autonomia para analisar, adaptar e transformar uma ideia original. Ou, então, elaborar a aula do zero, seguindo sua visão sobre o tema e
conhecimento do público com que trabalha. Essa forma de atuação significa respeito ao público infanto-juvenil e compromisso com a tarefa abraçada. Por experiência, destaco que uma das maiores alegrias de ter um plano de trabalho pautado na Codificação e na realidade do público com que atuamos, é ver todos os colaboradores da área se sentindo valorizados, sendo parte do processo e conscientes do seu papel. Como resultado, o estudo doutrinário se torna mais constante, a criatividade floresce, a aula deixa de ser obrigação e passa a ser momento de realização e aprendizado mútuo. Com isso, os laços se fortalecem, a aula flui melhor e o sentimento de pertencimento à Casa Espírita aumenta. Tanto para o Educador Espírita quanto para os Educandos.

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