Cesare Lombroso, nasceu em 6 de novembro de 1835, na cidade de Verona, na Itália.
Ele foi um médico, psiquiatra e criminologista italiano, considerado o fundador da Escola Positivista de Criminologia. Lombroso defendia a ideia de que o comportamento criminoso teria bases biológicas e hereditárias, sendo possível identificar “criminosos natos” por traços físicos específicos — uma teoria hoje superada e criticada, mas que teve grande influência no pensamento criminológico do século XIX.
Na verdade, Cesare Lombroso (1835–1909) ficou famoso como médico, psiquiatra e criminologista, não como espírita — porém, no fim da vida, ele se aproximou muito do Espiritismo e acabou mudando suas convicções materialistas, tornando-se um dos estudiosos europeus que buscaram explicar os fenômenos espirituais sob o olhar científico.
A seguir, uma retrospectiva da vida e da obra dele, com ênfase em sua relação com o Espiritismo:
- Primeiros anos e formação científica (1835–1870).
Nascido em 6 de novembro de 1835, em Verona (Itália), Lombroso formou-se em medicina, especializando-se em psiquiatria e medicina legal.
Tornou-se professor na Universidade de Turim e destacou-se como pesquisador do comportamento humano, com ideias fortemente influenciadas pelo positivismo científico de Auguste Comte.
Nesse período, era materialista convicto: acreditava que todos os fenômenos humanos, inclusive os mentais e morais, tinham causas físicas e biológicas.
- A fase criminológica (1870–1890)
Publicou obras como “O Homem Delinquente” (L’Uomo Delinquente, 1876), onde defendia que certos indivíduos nasciam predispostos ao crime, com características anatômicas específicas.
Essa teoria do “criminoso nato” influenciou fortemente o direito penal e a criminologia europeia da época.
Nesse período, Lombroso criticava abertamente as religiões e o Espiritismo, considerando-os superstições.
- O encontro com o Espiritismo (1891 em diante)
Por volta de 1891, Lombroso conheceu a médium Eusapia Palladino, uma das mais famosas da Europa.
Inicialmente, ele quis desmascará-la como fraude, mas após presenciar fenômenos de levitação, materializações e comunicações inteligentes, passou a admitir que algo real ocorria, embora buscasse explicações científicas.
Realizou várias sessões mediúnicas controladas com outros cientistas, tentando eliminar possibilidades de truque.
Aos poucos, passou de cético a convicto da sobrevivência da alma após a morte.
- A obra espírita e espiritualista
Sua principal obra espiritualista é “Hipnotismo e Mediunidade” (Ipnotismo e spiritismo, 1909).
Nela, Lombroso afirma: “Depois de estudar com todo o rigor científico, sou forçado a admitir que o Espírito existe e sobrevive à morte.”
Também escreveu “Depois da Morte – Pesquisas Psíquicas” (Ricerche sui Fenomeni Ipnotici e Spiritici), onde descreve experiências mediúnicas e conclui que a alma é uma força independente do corpo físico.
Embora nunca tenha se declarado “espírita” no sentido kardecista, suas conclusões o aproximam muito da doutrina de Allan Kardec, principalmente no ponto da sobrevivência do Espírito e da comunicação mediúnica.
- Últimos anos e legado
Faleceu em 19 de outubro de 1909, em Turim.
Sua conversão parcial ao espiritualismo foi mal-recebida por muitos colegas cientistas, que o acusaram de ter “enfraquecido” sua postura racional.
No entanto, no movimento espírita, especialmente no Brasil, Lombroso é visto como um exemplo de cientista que evoluiu do materialismo ao reconhecimento do Espírito, sendo mencionado em várias obras de Herculano Pires e Léon Denis.
Fonte: obras publicadas no final da vida (1908–1909)
Biógrafos e estudiosos do Espiritismo como Herculano Pires e Ernesto Bozzano