Por Mariana Folster.
Ao longo da história, crianças vêm saindo da posição antigamente atribuídas a elas de alguém sem espaço de fala, daí a origem da palavra “infante”, originada de “infantis”, do latim, “aquele que não fala”.
Embora o termo se referisse às crianças muito pequenas, nas famílias, não havia de fato “lugar de fala” para crianças. Adolescentes, por outro lado, eram chamados a responsabilidades que contrastavam com seu nível de maturidade desde muito cedo, vistos e cobrados como se fossem adultos.
Hoje vivemos em uma sociedade moderna, que busca o equilíbrio entre falar e ouvir, para que possamos formar núcleos familiares que preparem nossas crianças e adolescentes em jovens adultos funcionais, maduros e responsáveis, vivenciando os valores inerentes ao espírito imortal, sempre na direção do melhoramento próprio, felicidade e prática da caridade para com todas as criaturas.
Os núcleos Infantojuvenis Espíritas são essenciais e de suma importância, pois cada ensinamento no presente, representa colheitas vastas e de proporções inimagináveis no futuro.
Ensinar utilizando métodos lúdicos, divertidos, trabalhados com afeto, fazendo conexões com conteúdos atuais que já façam parte dos gostos e interesses das crianças e adolescentes, despertam o interesse sobre a doutrina espírita e vão aos poucos trabalhando com os valores ético, morais e espirituais desses espíritos de aparência jovem, mas de bagagens milenares, que vão através dessas experiências, trabalhando na sua reforma íntima e preparando-se para os desafios e dilemas que a vida lhes apresentará, cujos conhecimentos do espiritismo, calcados nos sublimes ensinamentos de Jesus, poderão ser o alicerce de resiliência, força e coragem para os enfrentamentos necessários rumo a vitória sobre si mesmos.
Além disso, é importante salientar a importância da família, que deve sempre estimular a criança e o adolescente a participar das atividades, bem como, após as atividades realizadas no centro, conversar com a criança e o adolescente sobre o que foi aprendido, envolvê-los nas atividades (p.e., evangelho no lar), visando a fixação desses aprendizados e a troca mútua. Ter o hábito de conversarmos, rirmos e trocarmos experiências com nossas crianças e adolescentes é imprescindível para que se tornem pessoas mais felizes, seguras e com autoestima de qualidade.
A família é a pedra angular na vida de todos nós e as experiências com ela nos marcam por toda a existência, é o exemplo que repetiremos sem cessar.
O espaço destinado aos departamentos infantojuvenis das casas espíritas é muito importante, traz grandes aprendizados, auxilia no desenvolvimento de bons valores, cria memórias afetivas de carinho e é um ponto de conexão, suporte e carinho com os educadores espíritas que assistem os jovens.
É uma oportunidade de muito crescimento e aprendizado, que de forma lúdica, divertida e criativa, traz benefícios que são levados para a vida de todos àqueles que participam das atividades.
O tempo não dá trégua e as crianças/adolescentes de hoje, serão os responsáveis por cuidarem dos centros amanhã, quando não estivermos mais aqui.
Eles são nossa herança de tudo de bom que fica, são nossa esperança de dias melhores e um futuro que se materializa em pessoas tocadas por esses ensinamentos desde tenra idade.