ORIGEM DAS FESTAS JUNINAS E SÃO JOÃO 

ORIGEM DAS FESTAS JUNINAS  E SÃO JOÃO

A origem das festas juninas é anterior a era cristã. No hemisfério norte, várias celebrações pagãs aconteciam durante o solstício de verão. Essa importante data astronômica marca o dia mais longo e a noite mais curta do ano, o que ocorre nos dias 21 ou 22 de junho no hemisfério norte. Diversos povos da Antiguidade, como os celtas e os egípcios, aproveitavam a ocasião para organizar rituais em que pediam fartura nas colheitas.

O São João faz parte de um grupo de festas coletivamente conhecidas como Festas Juninas (comemorando o Santo Antônio, no dia 13, o São João, no dia 24 e o São Pedro no dia 29). As festas chegaram ao Brasil junto com os colonizadores portugueses que tradicionalmente as cultivaram para comemorar a colheita da produção agrícola no verão europeu. O curioso é que os índios que habitavam o Brasil antes da chegada dos portugueses também faziam importantes rituais durante o mês de junho.

Apesar de essa época marcar o início do inverno por aqui, eles tinham várias celebrações ligadas à agricultura, com cantos, danças e muita comida. Com a chegada dos jesuítas portugueses, os costumes indígenas e o caráter religioso dos festejos juninos se fundiram. Já faz parte do conhecimento coletivo ocidental que os festejos juninos se devem ao fato de que as autoridades da Igreja quiseram cristianizar as festas pagãs ligadas ao solstício de verão.

Nas festas do solstício era comum acenderem-se fogueiras e isso inscreve estas festas nas chamadas festas do fogo.   A antiga festa do solstício era realizada com muita alegria e danças junto da fogueira e havia fartura de comida e bebida. Estas práticas passaram para as festas de São João.

E quem é o João homenageado em junho? Trata-se de João Batista, o precursor e anunciador do Messias. A data da festa não se relaciona com sua decapitação (seu martírio é relembrado em 29/08), mas com o seu nascimento, que teria ocorrido seis meses antes do Natal de Jesus.

É inequívoca a importância religiosa de João Batista para todas as orientações cristãs – ele é reverenciado pelas igrejas cristãs do ocidente com uma festa que cai em 24 de junho. É conhecido o papel de João na história do Cristo. Nos meios espíritas, sabe-se que o profeta Elias, reencarnou como João Batista, conforme Lucas (1:16-17) e Mateus (11:14).

Mas por que organizar uma festa junina em um centro espírita? Respondendo com outra pergunta: Qual a finalidade da existência de centros espíritas senão o desenvolvimento do Espiritismo e do AMOR fraterno verdadeiramente cristão entre os homens? De acordo com André Luiz Peixinho, o centro espírita é a unidade fundamental para o desenvolvimento do Espiritismo. Apesar das diferentes formas de organização, todos têm em comum a realização de atividades múltiplas, como função social, promoção da pessoa, educandário e templo.

É essa função social que cumpre uma confraternização junina, mas principalmente lembrando o papel de João, propicia a oportunidade de estreitamento de laços de amizade entre trabalhadores, da prática da solidariedade e da caridade.

Por fim, mas não menos importante, resta a considerar um ângulo da questão: Deve se considerar que, através dela (festa junina) se apresenta a oportunidade de angariar fundos, imprescindíveis ao financiamento dos serviços de saúde, de educação e de promoção do bem-estar humano. Sempre é bom lembrar: centros espíritas, como todas as instituições na Terra, pagam funcionários, utilizam material de limpeza, tem diversas despesas com água, iluminação, papéis, manutenção da área física, equipamentos, etc.

A necessidade de obter recursos para custear as atividades do Espiritismo não é fato novo e foi proposta pelo próprio Allan Kardec, como documentado no Livro dos Médiuns: “Artigo 15 – Para prover as despesas da Sociedade Parisiense de Estudos Espíritas, é paga uma cotização anual de 24 francos para os titulares e 20 francos para os associados livres."

Todas essas ações estão alicerçadas nos princípios daqueles que tem a prática cristã como guia: são amigos da fraternidade, do serviço, da bondade e do perdão.

pela Presidência: Izildinha Cioldin

Fontes: (1) LEAL, José Carlos. O culto popular de São João Batista. Correio Espírita,(2) RESTIVO, Milton (Diácono). Nascimento de São João Batista, o precursor do Messias. 18/06, (3) PEIXINHO, André Luiz. A tríplice função social do Centro Espírita. Federação Espírita do Estado da Bahia, 10/03/2014, (4) Brasil escola.