O Bom Samaritano em Vista da Linguistica - Centro Espírita Seareiros de Jesus - Americana/SP

O Bom Samaritano em Vista da Linguistica 

O Bom Samaritano em Vista da Linguistica

Linguística (do francês linguistique) segundo o dicionário Aurélio é a ciência da linguagem e, em particular, da linguagem articulada. A própria palavra linguagem vem do provençal lenguatge e, é descrita pela mesma fonte como sendo o uso da palavra articulada ou escrita como meio de expressão e de comunicação entre as pessoas. Contanto o nosso objetivo nesse artigo não será nos tornarmos, mesmo com as diretrizes aqui inscritas, de cunho puramente dissertativo ou científico como se mostra até o momento, destarte nos proporemos uma abordagem emocional e, às vezes poética, como alcança a oratória do autor Haroldo Dutra Dias no livro que ora focamos e que tem por nome “Parábolas de Jesus – Texto e Contexto”.

Guardo como mesma premissa deste autor que os textos dos evangelhos, como nas formas literárias, poéticas e líricas, que tanto me enriquecem o conhecimento e a imaginação, tenham com absoluta certeza sido reproduzidos, através daquilo que foi contado, em linguagem articulada pela voz do Cristo e, depois feita em letra pelos evangelistas e por Paulo de Tarso, compreendemos essas todas como passagens para o sublime e o foram reproduzidos para atingirem mais ao que vai ao sentimento, aos corações humanos, à que se pretender algum sentido cognitivo e científico dos versículos.

Contanto como todos nós espíritas sedentos de estudo e iluminados pelos ensinamentos da Doutrina, nas vozes de Emmanuel “(...) temos sede das tuas palavras de vida eterna, escoimadas de qualquer suplementação.” (Palavras de Vida Eterna, Francisco Cândido Xavier) sendo escoimar, livrar de impurezas, limpar, acrescenta, damos aqui a proposta nesse esclarecimento à luz da Linguística naquilo que seria amainar e extrair a palavra de Jesus em sua essência e disso se faz mister o estudo deste livro de Haroldo D. Dias.

Desse modo, acreditamos que acima de todas as técnicas e ferramentas exegéticas (comentário ou dissertação para esclarecimento ou minúcia interpretação de um texto ou de uma palavra, aplicado de modo especial em relação à Bíblia) se encontra a compreensão. Aquela que nasce do coração, do sentimento e se aperfeiçoa na exemplificação. (...) Somente compreende de forma integral quem aplicou o ensino em sua própria vida. (...) Nesse diapasão, a leitura dos Evangelhos constitui uma jornada de ascensão espiritual, na qual a ampliação do entendimento e da compreensão é proporcional ao crescimento espiritual do leitor. Haroldo Dutra Dias.

Não devemos nos desesperar, caros leitores: o que mais se pretendeu até esse instante do texto foi afirmar que mesmo sem o aparato cientifico da Linguística atual, que será abordado abaixo, a conclusão mundana nos dá inúmeras provas que o que está realmente em jogo na nossa ascensão espiritual na leitura da Bíblia é o nosso coração aberto para o sagrado e acima de tudo, difundir e aplicar a mudança que os textos Bíblicos nos ocasionaram em nossa seara de bondade e amor, acima de tudo Amor, nas nossas atitudes pela vida afora.

Retornemos então tranquilos em nossa consciência de meros alunos de Haroldo na dialética de seu livro sobre Jesus. O autor julga de vital consideração à comunidade de fala, em se estudar qualquer enunciado linguístico, em especial os textos do Novo Testamento, já que Jesus sempre adaptava o seu ensino à comunidade de ouvintes, utilizando símbolos da agricultura, da pesca, do exército romano, dos rituais judaicos, da hermenêutica dos Doutores da Lei, conforme variava o público e, como existiam diversos grupos ao tempo de Cristo (ver introdução do Evangelho Segundo o Espiritismo, item III, de Allan Kardec) como os fariseus, saduceus, samaritanos, o ensino do Mestre variava, na forma e no fundo, dependendo do seu interlocutor.

Do Manual da Linguística, de autoria de Mário Eduardo Martelotta:

“Dessa forma, as novas disciplinas vêm priorizar os fatores sociais, culturais e psíquicos que interagem na linguagem. Esses fatores são considerados essenciais porque o homem adquire a linguagem e dela se utiliza dentro de uma comunidade de fala, tendo como objetivos a comunicação com os indivíduos e a atuação sobre os interlocutores. (...) Nas comunidades organizam-se agrupamentos de indivíduos constituídos por traços comuns, a exemplo de religião, lazeres, trabalho, faixa etária, escolaridade, profissão e sexo”.

E mais adiante, na fala de Ingedore Villaça Koch, Introdução à LinguísticaTextual:

“Desta forma, na base da atividade linguística está a interação e o compartilhamento de conhecimentos e atenção: os acontecimentos linguísticos não são a reunião de vários atos individuais e independentes. São, ao contrário, uma atividade que se faz com os outros, conjuntamente”.

O que se quer aqui deixar aclarado é que se faz mister compreender diacronicamente o contexto em, que viveram os sucessores e os contemporâneos de Jesus para se bem compreender cognitivamente o conteúdo do Novo Testamento. É nisso que se tem debruçado a escolástica moderna da linguagem para melhor enquadrar os leitores da Bíblia na nossa atual sociedade de aplicativos e conexões que surgem e somem a todo o momento.

Nos pormenores de nos delongarmos excessivamente na ciência esquecendo-nos da premissa básica do coração, encerramos aqui a resenha sobre o capítulo dois, Linguagem e Linguística, palavras iniciais do essencial livro Parábolas de Jesus – Texto e Contexto, de Haroldo Dutra Dias. Nos demais capítulos o autor abordará as Concepções do Texto, o Contexto, Gêneros Literários, as Parábolas (apresentado-nos o conceito judaico de Torah oral e escrita), e concretiza oferecendo-nos, agora detentores de todos esses pormenores estudados, o entendimento embasado de O Bom Samaritano.

Como nunca deixa de ser demais aos nossos corações atentos e saudosos da palavra, termino com o sermão do monte, proferido por Jesus e que está no penúltimo capítulo do livro.

“Ouviste que foi dito: “Amarás o teu próximo” e “Odiarás o teu inimigo”. Eu, porém, vos digo: Amai vossos inimigos e orai pelos que vos perseguem, para que vos torneis filhos de vosso Pai, que está nos céus, já que seu sol desponta sobre maus e bons, a cai chuva sobre justos e injustos. Pois, se amais os que vos amam, que recompensa tendes? Não fazem os mesmos os publicanos? E se saudais somente os vossos irmãos, que fazeis de extraordinário? Não fazem também os gentios o mesmo? Portanto, sede vós perfeitos, como é perfeito vosso Pai Celestial”. (Mt 5:43-48).

por Augusto Cavalcanti