Amar-se, Não armar-se - Centro Espírita Seareiros de Jesus - Americana/SP

Amar-se, Não armar-se 

Amar-se, Não armar-se

Foi dito: “Que nos Amassemos e não que nos Amassássemos”

em seu evangelho acrescido dos versículos que seguem nos dá ensinamentos apropriados para nossos tempos. Lc. 22:35,36: ‘Quando vos mandei sem bolsa, sem alforje e sem sandália, por ventura vos faltou alguma coisa? – Nada. – Pois agora tome a sua bolsa e seu alforje quem os tiver e quem não os tenha venda sua capa e compre uma espada.’

As palavras contidas nestes versículos objetivavam manter os discípulos em guarda contra os acontecimentos que estavam por vir e fazer-lhes compreender que se aproximava o momento da luta.

Falando-lhes da necessidade de ficarem abastecidos de alforje, bolsa e de uma espada, queria faze-los compreenderem que iam entrar em ação e que necessário se fazia que se armassem para resistirem aos ataques. Eram palavras simbólicas. Pois se ele mesmo condenou o uso da espada diante da reação de Pedro, quando cortou a orelha de Malco. Não podia, o Mestre aconselhar à seus discípulos que se armassem de espadas para o combate material.

O sentido espiritual dessa passagem é: “Aproxima-se o momento em que ireis percorrer a Terra. Tomai todas as precauções para que nada vos falte. Sabeis qual o fim da viagem que ides empreender. Fazei a previsão de ensinamentos, de moral e de exemplos, porque sereis atacados; armai-vos para a defesa. As únicas armas, porém de que deveis utilizar-vos são o amor e a caridade”.

Não tendo compreendido o sentido figurado das palavras do Mestre, os discípulos logo lhe apresentaram duas espadas de que dispunham. – “Basta!”, Disse o Mestre, o que significa, é necessário que os acontecimentos materiais se cumpram para que possam entender. De fato os apóstolos receberam exemplos de caridade, de paciência, de resignação, de submissão e fé, quando da prisão de Jesus no jardim do Getsêmani e particularmente quando Pedro corta a orelha do soldado e Jesus a cura tocando-a com suas mãos, transmitindo-lhe energia magnética, com fluidos próprios.

Para o espirita não há neste fato nada de miraculoso, trata-se de um fato, perfeitamente aceitável como no caso de um corte que se cicatriza, de um osso quebrado que se reconstitui, cumpre notar que a orelha não foi decepada, mas cortada.

Quanto às palavras dirigidas a Pedro:  “Mete tua espada na bainha”; encerram um ensinamento que o mestre nos ofereceu, mostrando-nos que jamais devemos nos defender ou reagirmos com violência diante à violência através de armas materiais, revolveres, punhais, etc... Que precisamos apreender a usar as armas morais, a paciência, a doçura, o amor e a caridade. Em resumo que o cristão não deve se armar. Todos esses ensinamentos foram ditos naquele momento, mas endereçados ao futuro para todos os que querem ser seus discípulos.

Nos países mais pacíficos do mundo foi banido as armas de uso pessoal, à exemplo do Japão onde a taxa de homicídio é de 0,3 por 100.000 habitantes. Enquanto que no Brasil esta taxa é de 20 homicídios em cada 100.000 habitantes, tendo 8 armas em cada 100 habitantes. Honduras o pais mais violento do mundo possui 6 armas para cada 100 habitantes. Os Estados Unidos têm o mais alto índice mundial de armas de fogo per capita, é a maior incidência de mortes por armas de fogo num país considerado desenvolvido. Enquanto a violência despenca nos USA, na última década e Barack Obama pede desarmamento, o Brasil eleva em 46% a venda de armas para USA, principalmente armas leves de uso pessoal. Tanto no Brasil como nos USA armas de fogo matam muito.

Espanta-nos, quando, um grupo de norte americanos, contra o desarmamento, frente às câmaras do “Fantástico”, alegou se apoiar no evangelho de Lucas, cujos versículos acabamos de interpretar em seu sentido espiritual. Nossos irmãos americanos precisam conhecer melhor o verdadeiro sentido do evangelho.

Não é o total de armas legalizadas que aumenta ou diminui a violência em um país. O que determina a criminalidade é o império da lei paralelamente com a formação, mais particularmente a formação cristã do cidadão. 

por Adauto Reami