1ª Edição da Obra  

1ª Edição da Obra

Comemora-se em 06 de Julho o lançamento da 1ª edição do livro Parnaso de Além-Túmulo, escrito em 1932 por espíritos diversos, espíritos de escritores brasileiros e portugueses, desencarnados e vindos ao nosso conhecer pelas mãos aureoladas do médium Francisco Cândido Xavier.

Manuel J. F. Quintão, que escreveu o prefácio no tempo em que o livro e o médium apareciam para o público. Parnaso de Além-Túmulo é impactante já pelo título, não é mesmo? Aproveitem o assento e tirem uma boa viagem pela poesia. É de suma beleza ler as palavras introdutórias de Chico Xavier no também prefácio e o entusiasmo de Haroldo de Campos (desencarnado) ao introduzir-nos palavras para a 2ª edição de 1935.

“Mas, perguntarão: – quem é Francisco Cândido Xavier? Será um rapaz culto, um bacharel formado, um acadêmico, um rotulado desses que por ai vão felicitando a Família, a Pátria e a Humanidade?

Nada disso.

O médium polígrafo Xavier é um rapaz de 21 anos, um quase adolescente, nascido ali assim em Pedro Leopoldo, pequeno rincão do Estado de Minas. Filho de pais pobres, não pôde ir além do curso primário dessa pedagogia incipiente e rotineira, que faz do mestre-escola, em tese, um galopim eleitoral e não vai, também em tese, muito além das quatro operações e da leitura corrida, com borrifos de catecismo católico, de contrapeso.

(...) Agora, diz-nos este que também as produções são recebidas de jacto.

Não há ideação prévia, não há encadeamento de raciocínios, fixação de imagens.

É tudo inesperado, explosivo, torrencial!

Do que escreve e sabe que está escrevendo, também sabe que não pensou e não seria capaz de escrever.

Há vocábulos de étimo que desconhece; há fatos e recursos de hermenêutica. Figuras de retórica, que ignora; teorias científicas, doutrinas, concepções filosóficas das quais nunca ouviu falar, de autores também ignorados e jamais lidos!”

 

Alguns Poetas e excertos de poemas da coletânea:

 

Imagens de turíbulos e rosas

Aromatizam todos os empíreos...

Há na Terra canções maravilhosas

Entre as luzes e as lágrimas dos círios.

(Alphonsus de Guimarãens)

 

Excelsa e sereníssima Senhora,

Que sois toda Bondade e Complacência,

Que espalhais os eflúvios da Clemência

Em caminhos liriais feitos de aurora!...

(Antero de Quental)

 

Há mistérios peregrinos

No mistério dos destinos

Que nos mandam renascer:

Da luz do Criador nascemos,

Múltiplas vidas vivemos,

Para à mesma luz volver.

(Castro Alves)

 

Jesus ou Barrabás?

Sobre a fronte da turba há um sussurro abafado.

A multidão inteira, ansiosa se congrega,

Surda à lição do amor, implacável e cega,

Para a consumação dos festins do pecado.

 

“Crucificai-o!” – exclama... Um lamento lhe chega

Da Terra que soluça e do Céu desprezado.

“Jesus ou Barrabás?” – pergunta, inquire o brado

Da justiça sem Deus, que trêmula se entrega.

 

Jesus! Jesus!... Jesus!... – e a resposta perpassa

Como um sopro cruel do Aquilão da desgraça,

Sem que o Anjo da Paz amaldiçoe ou gema...

E debaixo do apodo e ensanguentada a face,

Toma da cruz da dor para que a dor ficasse

Como a glória da vida e a vitória suprema.

(Olavo Bilac)

 

por Augusto Cavalcanti.