O JOGO DA BALEIA AZUL 

 O JOGO DA BALEIA AZUL

 

Como uma notícia falsa traduz um perigo real

A notícia da onda de suicídios causados pelo jogo Baleia Azul é falsa. Mas serve de alerta.

Chamemos essa historinha de a lenda da Baleia Azul. Esse é nome de um jogo em uma rede social russa que causou pânico global ao se noticiar que ele estava levando os jovens ao suicídio. Trata-se de um boato, surgido pela interpretação distorcida de uma notícia antiga, de um ano atrás, que voltou às manchetes depois de repercutir na imprensa inglesa. O jogo consiste numa série de 50 tarefas, progressivamente mais difíceis, culminando com o desafio do suicídio – e as manchetes diziam que centenas de jovens já teriam chegado ao fim e se matado. A verdade, no entanto, é que nenhum caso foi ligado de fato ao jogo. O site de verificação de boatos Snopes.com trilhou o caminho da história de trás para frente, chegando à notícia original, publicada pelo periódico russo Novaya Gazeta, e mostrou como ela era recheada de inferências e suposições, sem um fato sequer apurado realmente. A equipe da Radio Free Europe, organização dedicada a levar informações a regiões com pouca liberdade de expressão (como leste europeu), apurou mais profundamente o caso, fazendo-se passar por um adolescente que queria jogar o baleia azul. Eles chegaram a estabelecer um diálogo com moderadores do jogo, que confirmaram não ser possível desistir depois de começar, mas desapareceram em seguida. Conseguiram ainda contato com vários jovens que haviam se engajado na brincadeira macabra; a maioria entrara no jogo por curiosidade, e todos também perderam contato com os moderadores em pouco tempo.

Por que então, mesmo sendo um boato, essa história exagerada e pouco crível fez tanto barulho?

Em primeiro lugar, porque ninguém sabe exatamente a razão de o suicídio entre jovens crescer no mundo todo, no Brasil inclusive. Diante da angustiante ausência de explicações qualquer motivo que tenha ares de resposta encontra terreno fértil para se multiplicar. (...)

Moral da história: a notícia da baleia azul pode ser exagerada, mas os perigos que ela traduz são tão presentes que todo mundo acreditou. Na dúvida, então, não custa dar ouvidos ao alerta que ela fez.

Divaldo Franco em um pronunciamento sobre o assunto, no jornal A Tarde, coluna Opinião, em 20/04/2017, disse o seguinte:

(...) _ O suicídio é um filho espúrio do materialismo, por demonstrar que o sentido da vida é o gozo e que, após, tudo retorna ao caos do princípio.

É muito lamentável esse trágico fenômeno humano, tendo-se em vista a grandeza da vida em si mesma, as oportunidades excelentes de desenvolvimento do amor e da criação de um mundo cada vez melhor.
Ao observar-se, porém, a indiferença de muitos pais em relação à prole, a ausência de educação condigna e os exemplos de edificação humana, defronta-se, inevitavelmente, a deplorável situação em que estertora a sociedade.

Todo exemplo deve ser feito para a preservação do significado existencial, trabalhando-se contra a ilusão que domina a sociedade e trabalhando-se pelo fortalecimento dos laços de família, pela solidariedade e pela vivência do amor, que são antídotos eficazes ao cruel inimigo da vida – o suicídio!

pela Presidência: Izildinha Cioldin

Fonte: por Daniel Martins de Barros – Estadão